sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Discografias (re)visitadas: Nevermore

Ahhh... Nevermore. A banda que ninguém consegue enquadrar em um gênero específico do metal. Classificações à parte, é um dos grupos mais importantes e interessantes do metal dos anos 90 pra cá.

O estilo peculiar da banda (que nasceu das cinzas do power/tradicional Sanctuary) junta thrash metal, grooves de pós-thrash, vocais grandiosos a la power metal (apesar de bem diferentes da tradição européia) e algumas ambições progressivas. De 95 pra cá, já rendeu grandes álbuns e também alguns discípulos muito interessantes, como os ingleses do Biomechanical, e a dobradinha norueguesa Communic e Scariot.

Nevermore (1995): Certamente o disco mais fraco da banda. As influências de pós-thrash são muito fortes nesse disco, resultando em músicas mais lentas e destacando o peso das guitarras acima de todo o resto. O fato é que, no debú auto-intitulado, o estilo da banda ainda estava sendo solidificado e os riffs e linhas vocais não estão no nível que atingiram nos álbuns seguintes. Ouvir: a faixa de abertura, What tomorrow knows, e a primeira baladapesada da banda, The sanity assassin.

The politics of esctasy (1996): O disco em que o Nevermore vira Nevermore. As letras políticas ganham mais força, os vocais do Warrel Dane soam mais convincentes, os riffs do Jeff Loomis apresentam mais influências progressivas e o baterista Van Williams tem uma das performances mais devastadoras da carreira. A primeira metade do disco é um exemplo perfeito do metal praticado pela banda, mas o ‘lado B’ perde um pouco o gás, lembrando o primeiro álbum em certos momentos. Ouvir: The seven tongues of god, Next in line e a progressiva faixa título.

Dreaming neon black (1999): Considerado por muita gente a obra-prima do Nevermore, o terceiro álbum da banda é conceitual e gira em torno do desespero de um homem ao perder sua mulher. É certamente o disco mais visceral, emotivo e triste da carreira da banda, em especial no que se refere à voz de Warrel Dane, áspera e tensa como nunca, mas também nos riffs, que demonstram com clareza a influência que o doom metal e o gótico têm sobre o som do Nevermore. A produção dá um ar um pouco sujo demais ao disco, mas é inegável que ela potencializa os sentimentos de angústia e revolta que pairam sobre o álbum. Ouvir: as thrashs Beyond within e The fault of the flesh, a faixa título e Poison godmachine, simplesmente uma das músicas mais absurdamente fodas da banda.

Dead heart in a dead world (2000): Meu disco preferido do Nevermore e um dos mais perfeitos dos anos 2000, é talvez o álbum mais comercial da banda. Apesar de todo o peso característico, é aparente a acessibilidade que diversas faixas do disco apresentam, algo que é destacado pela presença de quatro quase-baladas. As influências progressivas da banda se mantêm presentes e, como sempre, os riffs técnicos de Jeff Loomis são o destaque ao lado dos vocais de Warrel Dane. Aliás, que vocais. O cara tem uma atuação espetacular e, cantando coisas como ‘Turn my blood to sand/Lives fall through the hourglass and grow cold/What are you searching for?’ em Narcosynthesis, é de arrepiar. Ouvir: fica difícil escolher apenas algumas faixas, já que o disco todo é excelente, mas, para os iniciantes, vale conferir a já mencionada Narcosynthesis, o cover inusitado (e completamente diferente) de The sound of silence, da dupla Simon and Garfunkel, a balada Insignificant e a destruidora faixa título, que fecha o álbum de forma absurda.

Enemies of reality (2003): Apesar de três anos separarem o disco de seu antecessor, em quase todos os aspectos ele soa como uma continuação (bem menos inspirada e um pouco mais ousada) do Dead heart in a dead world. Fora isso, o único verdadeiro porém do disco é a produção, que deixou as guitarras muito abafadas e sem o peso e a afiação característicos da banda, o que não deixa de ser irônico, já que em termos de composição esse é um dos discos mais agressivos do Nevermore (existe uma versão remixada do álbum bem mais impactante do que a original). Ouvir: a faixa título, I, voyager, a porrada-balada-porrada Who decides e Seed awakening (possivelmente a música mais desgraçada da história da banda).

This godless endeavor (2005): O Nevermore volta à forma com um disco pesado, técnico e simplesmente metal. Esse talvez seja, até hoje, o exemplo mais claro do estilo metálico da banda, passando por power metal pesadíssmo, groove metal, baladinha com passagem pesada, thrash, doom e terminando com uma apoteose de metal progressivo. Warrel Dane e Jeff Loomis brilham como sempre e o baterista Van Williams parecia não se divertir assim há alguns anos. A banda aqui conta com o reforço do ex-um milhão de bandas Steve Smyth, que infelizmente já deixou o Nevermore: a dupla que ele formou com Loomis poderia facilmente entrar para a história do heavy metal caso tivesse continuado mais um tempinho. Ouvir: O disco inteiro, mas é sábio começar com Born, Sentient 6 (uma das melhores baladas de heavy metal dos últimos anos), A future uncertain e a épica faixa título.

2 comentários:

Dotto disse...

Maneiro. Nevermore é uma dessas bandas que já ouvi e gostei mas que não conheço PN. Dia desses eu paro pra ver qualé.

Dotto disse...

Ouvi o Dead Heart in a dead World. Bem maneiro. Algumas músicas são bem pesadas e outras do tipo meio mela cueca com guitarras distorcidas, tipo a Believe in Nothing. Parece que o Warrel Dane aprendeu a dosar um pouco a voz. No Sanctuary às vezes era de encher o saco a grandiloqüência com que ele cantava. Ainda acho que ele continua exagerando, mas ta bem melhor. Me lembra bastante o Bruce Dickinson.