
Eu to aqui, na Telerj, trabalhando e, como ninguém de voz fina me liga pra que eu possa passar o tempo, resolvi escrever mais uma resenha, sobre uma revistinha, mais especificamente uma edição da série Local, a número três, a Theories and Defenses, da editora Onipress. Nem nunca tinha ouvido falar, nem do título, nem do escritor, nem do desenhista. O Jotun, vulgo Batatão, me mandou via MSN e adiantei-a à minha listinha de revistas ainda por ler, que, provavelmente, já inclui mais do que eu possa ler até pelo menos completar 50 anos, assim como minhas listas de CDs, de livros e de filmes, as quais, por sinal, não param de crescer.
Antes de tudo, fico pensando em qual o sentido de se resenhar uma história
A dupla que assina a série e, consequentemente, o número é Brian Wood (escritor) e Ryan Kelly (desenhista). Não vou dar o resto da ficha técnica da parada toda. Como não conhecia nada dos dois, dei uma pesquisada na internet e descobri que o Ryan Kelly já tinha desenhado até o momento (a revista é de novembro de 2005) algumas coisas do tipo Books of Magic e Lucifer. É ainda meio novato no meio, mas parece ser uma grande promessa. Já o Brian Wood tem um pouco mais de estrada que seu parceiro, com alguns projetos próprios (DMZ, Demo), que nunca li, nem nunca tinha ouvido falar. Aliás, assim como na Demo, a revista se concluiu em doze edições “stand-alone”, porém com um diferencial: uma personagem recorrente, Megan, que, não necessariamente a protagonista de cada edição, aparece em todos os números. Outra peculiaridade está no fato de cada estória ser sempre muito bem localizada no espaço: “My only criteria was to get away from the larger cities I always set stories in, like New York City, and other places commonly seen in comics like Los Angeles or San Francisco or Washington, DC.”, diz o escritor (http://www.newsarama.com/Oni/Local/BriWood_Local.htm). Não à toa, chama-se Local. A edição que aqui interessa se passa em Richmond, Virginia, no Sudeste dos Estados Unidos e a personagem Megan faz apenas uma rápida aparição, de quatro ou cinco páginas.
De cara, como é impossível se deixar de notar, pontos para a parte gráfica. Toda em preto-e-branco, excetuando-se a capa e um posterzinho do interior, contribui a criar ainda mais um clima de desolação e intimidade. Aparentemente, tudo se passa no final do outono, com folhas voando, as árvores nuas, o tempo fechado e os quatro integrantes de uma banda de sucesso internacional retornando a sua cidade natal para recomeçar a vida, após o final de suas atividades
Mas o que cabe ressaltar é esse sentimento perene de solidão e de extrema individualidade e singularidade, temas comuns à vida em conjunto e separação. O clima de outono, anunciando o fim de uma era e a incerteza quanto ao futuro imediato e longínquo, o término de algo inicialmente eterno, o retorno às situações já esquecidas e deixadas para trás e agora transformadas, a redenção no trabalho e no fazer por prazer, o mais completo alheamento, os planos para o futuro, isso tudo foi uma verdadeira surpresa vinda de uma revista indicada e quase que aleatoriamente levada a sério. A superação de uma fase, as influências de relacionamentos, a relação com as expectativas do outro, a decisão por um caminho próprio, o crescimento, fatos comuns à vida tanto de uma banda na estrada quanto à de uma pessoa de uma cidade qualquer, é disso que trata a revista.
Poderia continuar aqui falando dos outros personagens, explicando suas histórias, conflitos – ou falta de – e decisões. Curto e grosso, os outros membros são: um fanfarrão, um apaixonado (ou não) e alguém decidido. Ou um baixista, um guitarrista e um baterista – não exatamente nessa ordem -, sendo estes uma mulher e dois homens, não necessariamente respectivamente, que em maior ou menor grau refletem o próprio líder. Mas como não o farei, o que provavelmente estragaria a leitura, vou cantar uma musiquinha:
Raindrops keep fallin' on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'
So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he got things done
Sleepin' on the job
Those raindrops are fallin' on my head, they keep fallin'
But there's one thing I know
The blues they send to meet me won't defeat me
It won't be long till happiness steps up to greet me
Raindrops keep fallin' on my head...
2 comentários:
Boa estratégia essa de gastar o tempo ocioso do trabalho escrevendo. Já fiz isso algumas vezes, aliás, meus comentários sobre o show do Dream Theater foram feitos nessas condições.
Acrescentando algumas coisas: a série Local ainda não acabou de ser publicada. Acho que tá no número 9 e sai meio esporadicamente, em tese porque os caras estão ocupados com outras coisas.
O Brian Wood, além do fodaço Demo (que vai ganhar mais seis edições inéditas) e do bom DMZ, ainda escreve uma série pra Vertigo sobre Vikings, chamada Northlanders. Essa eu ainda não li, mas dizem que presta.
O Local vale a pena ser lido como um todo, mas essa edição 3 é realmente especial. Eu acho foda como o fato de a gente gostar pracaralho de música faz com que essa edição fique ainda mais foda, apesar de a música em si da banda ser mais um pano de fundo do que o foco de interesse da narrativa.
Acho o final dessa revista uma coisa brutalmente foda.
E, por falar em Oni Press, vocês precisam ler Scott Pilgrim. Meu deus.
Por hoje é só.
Olha o link que te falei: http://www.onipress.com/display.php?type=se&id=24
Aqui consta como já saídas todas as edições.
Já no blog oficial, o post mais recente é da edição número 8: http://localthecomic.blogspot.com/
Algo errado?
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