Bom, meu videogame foi pro caralho recentemente e estou sem ele há mais de um mês, por isso o último jogo que eu zerei foi o Dead space. Que é fodão, provavelmente o melhor de 2008 que eu joguei.
Em teoria, ele não é nem uma grande novidade no seu gênero (survival horror). A grande crítica que nego faz a ele na verdade é exatamente isso, de ser muito parecido em termos de sistema de jogo com o Resident evil 4. E é mesmo, o enquadramento, a mecânica de combate, upgrade de armas, inventório etc. são muito semelhantes ao jogo da Capcom.(eu não vou fazer um tratado sobre o Resident evil 4, mas é um jogo muito foda, apesar de corromper os elementos mais irados da série como foi concebida originalmente... na verdade, tem um resenha minha em inglês no Gamefaqs, se alguém tiver tempo pra jogar fora e interesse em ler: http://www.gamefaqs.com/console/gamecube/review/R96278.html)
Bom, o Dead space tem algumas coisas que levam ele a um nível fodaço.
Primeiro, a ambientação do jogo é muito animal. Ele se passa no espaço (é meio um Resident evil futurista nesse sentido) e isso é incorporado no jogo de um forma muito irada, afetando a jogabilidade mesmo (por exemplo, tem áreas de gravidade zero e outras de vácuo, onde você respira através de uma reserva de oxigênio). Ou seja, é uma mudança muito mais do que cosmética, dando algumas novas dimensões ao jogo. Depois, esse lance da ambientação é muito bem tratado tecnicamente. Na verdade, ele nem é tão deslumbrante quanto outros jogos do Xbox 360 que eu tenho (tipo Assassin's creed ou Gears of war), mas o design de video e, principalmente, de áudio criam um clima absurdamente foda pro jogo. Nesse sentido, ele resgata muito do que o Resident evil 4 perdeu em termos de atmosfera em relação aos primeiros jogos da série (por se concentrar bem mais na ação), só que em um universo que nunca foi tão bem explorado pelo gênero dele.
Depois, o design de monstros e combates é muito bem mandado. O jogo parte de uma premissa bem simples, de que os inimigos que você enfrenta perdem bem mais energia quando você decepa membros deles. Além de isso dar um tchan no quesito violência, torna as lutas mais interessantes porque você ter cuidado com a mira, a precisão dos tiros e o tipo de arma utilizada contra cada monstro são coisas importantes. Isso também aumenta a tensão porque você não pode carregar todas as armas de uma vez, ou seja, às vezes você tem que improvisar etc. e tal. Os combates de chefes são meio caídos, mas contra os inimigos normais tem umas situações bem tensas e iradas que reforçam o clima de terror.
Tem um outro elemento que não é muito fácil de analisar sem soltar uns spoilers, mas é interessante como o jogo mistura uma porrada de sub-gêneros de terror em uma coisa só, deixando o jogador em dúvida sobre qual é a origem dos monstros que ele vai enfrentando ao longo da trama, o que fica em questão até o final dele mesmo (e a história em si é bem bacana). Aliás, sem estragar a graça do desfecho, é legal como ele consegue dar uma sensação de conclusão pra história (ao contrário da tendência de hoje em dia de fazer jogo praticamente com chamada pro próximo da série) e ainda assim deixar algo em aberto para a possibilidade de uma continuação.(aparentemente o jogo fez bastante sucesso, então é provável que role algum tipo de continuação; teve até uma mini-série em quadrinhos desenhada pelo Ben Templesmith!)
O último elemento fodaço, e um dos mais geniais, é como o sistema de jogo consegue dar uma nova dimensão para a sensação de tensão do gênero e de imersão dos videogames de uma forma geral. Os caras simplesmente descartaram tudo que é tipo de menus, medidores de energia, munição etc., transformando tudo isso em hologramas que saltam da armadura do personagem principal ou incorporando esses dados ao mundo virtual do jogo. O próprio inventório é acessado através de um desses hologramas, sem pausa, o que faz com que você não consiga parar pra se curar no meio de uma luta, já que os monstros vão continuar te atacando enquanto você tenta pegar aquele último medikit pra salvar a sua pele.
Em suma, é um jogo que pega uma base muito boa de um gênero que já tinha sido reformulado (porque o Resident evil 4 já é um modelo repensado do survival horror) e expande ela de uma forma inteligente, que potencializa tudo o que o gênero tem de mais foda.Jogaço. Me empolguei.
3 comentários:
Esse é um dos maiores condidatos a próximo jogo a ser debulhado. Quem sabe me empolgo e escrevo sobre o left 4 dead.
Antes que me esqueça, me lembro de ler algo a respeito do dead space criticando quem classifica o jogo como survival horror. O argumento que me vem a cabeça é o da não limitação de munição. Procede?
Cara, não sei onde tu leu isso, mas o Dead space tem munição limitada sim. Talvez usando 'truquin' dê pra usar munição infinita.
Mas eu até aceito nego dizer que não é survival horror no sentido clássico. Mas, como eu disse no texto, se for considerar o Resident evil 4 dentro do gênero não tem como não considerar do Dead space também, já que a mecânica básica dos dois jogos é a mesma.
É, to falando sem saber.
Comecei a jogar e to achando irado. Depois comento legal.
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