Fazia muito mais tempo do que não postava aqui no blog que não ouvia o Pantera. Desde lá por 1994, acho, que não pego minha fitinha cassete tosca do Vulgar Display of Power pra dar uma conferida, sujar o cabeçote e bater a cabeça ouvindo os urros melódicos do Phil Anselmo, os riffs cheios de groove do Dimebag Darrell e os tamborins do Vinnie Paul. E agora, graças a internet, não estou mais preso ao padrão Dotto de qualidade de gravação e posso ouvir a plenos ouvidos a demonstração de poder nada vulgar desse disco. Muito pelo contrário, o título é propaganda enganosa descarada, pra meter um processo jurídico numa banda que nem existe mais. Não há nada de vulgar aqui. Embora cheia de poder, a demonstração thrash metálica do Pantera é bastante rigorosa, com influências demais para ser considerada ordinária. É metal cheio de classe, thrash cheio de ginga, distorção cheia de death, bateria cheia de feeling, cheio do heroísmo Darrelliano, do virtuosismo, da pegada bluesística, da malemolência do finado guitarrista mambembe. Guitarra quebradeira que, ao mesmo tempo em que dá um tom melódico meio-blues, faz percursão junto a bateria de pratinhos, contra-tempos, caixas dobradas e bumbos duplos, e que influenciou felizmente e infelizmente todo o metal e nu-metal posterior, desde o TOOL ao korn. E o Phil Anselmo, o vocal do Phil Anselmo, agressivo pra caralho e todo modulado, um gutural que consegue fazer melodia, ou um canto cheio de distorção, que faz escola com o Mikael Stanne e o Nils Frykdahl. Quer ouvir as influências difusas do Pantera, tire de contexto o riff da Walk e ouça o BB King que existe dentro do Dimebag Darrell. Metal capoeira com mais gingado que o Motörhead tocando Sacrifice ao vivo no circo voador ou que o Sepultura, da terra do samba, conseguiu atingir? A New Level - que, por sinal, é também uma demonstração de toda a versatilidade tanto técnica como em composição da cantoria frenética do Philip Anselmo. Uma passagem transportada diretamente de um Altars of Madness ou Covenant da vida? O riff lento final da This Love. Ouça Fucking Hostile: Thrash "old school", solo tipo whiplash, riff bay-area/ bridge hardcore melódico quase-pop/ um dos refrões mais diretos e engraçados da história. Curioso como o Pantera atualizou e ultrapassou o thrash americano com um som que remete ao mesmo tempo a direções tão diversas, como ao Black Sabbath, ao Death Metal, aos Guitar Heroes, ao visual grunge, ao Hardcore, ao Crossover e ao que mais posso ter esquecido.
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