quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pirataria

Não, esse não é um post sério sobre ações contra a pirataria ou sobre como eu consigo ouvir tantos CDs obscuros para depois escrever comentários desnecessários nesse blog.

Esse é um post sobre o mais novo gênero musical em ascensão: o pirate metal!

Como todo mundo sabe (ou pelo menos todo mundo com bom gosto sabe), os pioneiros do metal piratesco vêm da Alemanha: o grupo Running Wild, liderado pelo lendário e pitoresco Rolf Kasparek (no início da carreira também conhecido como Rock ‘n’ Rolf... hahahahahahaha) começou a escrever músicas sobre piratas, sete mares, batalhas navais etc. em 1987, com o álbum Under Jolly Roger. De lá pra cá, ainda não pararam.

Entre os clássicos da pirataria musical da banda estão as músicas Under Jolly Roger, Diamonds of the black chest, Port Royal, Conquistadores, Riding the storm, Tortuga Bay, Whirlwind, Lead or gold, Jenning’s revenge, Treasure island (baseada no livro homônimo de Robert Louis Stevenson), The privateer, The ballad of William Kidd (putaqueopariu, que música foda!) e Pirate song (não sei como eles demoraram tanto tempo pra gravar uma música com esse nome).

(pra quem não percebeu, o Running Wild é, tipo, a banda mais foda, tipo, everrr)

Bom, agora, finalmente alguma justiça divina permitiu que aparecessem bandas que são verdadeiros discípulos do metal piratástico alemão.

A primeira banda de que eu tive notícia vem da Escócia e, pelamordedeus, pirate metal escocês é praticamente o céu na terra. Primeiramente chamados Battleheart, os caras foram ainda mais geniais e mudaram o nome pra Alestorm, adicionando cerveja ao nome e conquistando precocemente seu lugar no rol das bandas imortais do heavy metal. Esse ano, lançaram o debú Captain Morgan’s revenge (que eu ainda não ouvi, mas deve ser ultramegaokfodaço).


Agora, surge a banda finlandesa Cast Iron (nunca vou entender como um país tão obscuro como a Finlândia rende tanta banda de metal), que proclama aos sete ventos sua idolatria pelo Running Wild. Até hoje, eles lançaram só um EP chamado Leather and metal e não podemos encontrar nenhuma menção a pernas de pau, ganchos, tapa-olhos, papagaios ou motins nos nomes das músicas, mas a declaração de amor a Kasparek e cia. indica que isso não pode estar muito além do horizonte dos caras.


Então, façamos uma apelo para a comunidade metálica internacional para que surjam mais bandas de pirate metal, assim arruinando um estilo que, por ter só um representante durante mais de 15 anos, nem poderia ser considerado um estilo, muito menos ser arruinado.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fotoneorealismo

Nos quadrinhos de super herói atuais, existe um grupo de artistas que tem uma grande influência do fotorealismo, escola de arte dos anos 60 e 70 que propunha a realização de obras feitas a partir de fotografias. O quadro não existe sem uma foto, que serve como imagem-base mesmo para a pintura.

Nas revistinhas, os artistas que se valem dessa proposta usam como modelos para os personagens e ambientações fotos de pessoas e lugares, fazendo uma 'versão desenhada' ou 'retrabalhada' dessas imagens, o que dá uma aparência mais real e naturalista para os desenhos (ao contrário da escola tradicional dos super-heróis, capitaneada pelo desenhista/escritor Jack Kirby, que procurava dar uma dimensão grandiosa à arte através de traços e enquadramentos não-realistas).

Artistas como Alex Ross (provavelmente o inspirador de toda essa tendência), Greg Land, Salvador Larroca, e os brasileiros Luke Ross e Mike Deodato Jr. são alguns exemplos de gente que já usou esse tipo de influência em seus trabalhos. Mais recentemente, o canadense Dave Sim, criador do Cerebus (a revista em quadrinhos com mais edições em língua inglesa de todos os tempos), lançou a série Glamourpuss, que retrata o mundo da moda através de arte fotorealista.

Muitos críticos de quadrinhos atacam essa proposta, argumentando que ela é pouco mais que um atalho para facilitar a vida dos artistas, já que eles não têm o trabalho de 'criar' os desenhos, mas sim 'recriá-los' ou 'adaptá-los'. Muitas vezes, o que se vê na revista não é nem desenhado propriamente, mas sim uma imagem alterada no computador a partir das fotos em programas específicos.

Por isso, é interessante ler o ensaio do artista Ryan Kelly sobre o processo de criação da revista Local (cuja edição #3 foi tema de um post do Dotto), que tem como base a proposta de ambientar cada número em uma cidade diferente dos Estados Unidos.

O mais legal da idéia do cara é que, apesar de não abrir mão das fotos como referência para a arte (já que uma das maiores preocupações dele era ser fiel às cidades que ele desenhava), o objetivo era partir da história em primeiro lugar. Ou seja, apesar de as fotos serem uma parte intrínseca do processo de criação da revista (nesse caso, apenas na parte dos cenários, não dos personagens), ela está subordinada às necessidades dos personagens e da narrativa.

Exemplo disso é o fato de ele dizer que, quando não tinha uma foto na escala ou enquadramento que ele pretendia para contar a história, ele se impunha a obrigação de desenhar o quadro do zero, usando as fotos como referência e não como base para o desenho.

É um caminho interessante, porque assume totalmente o papel das imagens de referência, mas reforça que o trabalho do artista não pode se subordinar ao material que ele toma de ponto de partida.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

It's alive!

A primeira edição da revista em quadrinhos que eu criei junto com meu amigo nerd Alvaro, está online!


O título da parada é A corporação e trata de um grupo de pessoas com super poderes que são organizadas como uma força mercenária. Eu poderia entrar em detalhes em relação à trama, personagens etc. e tal, mas no fundo é tudo uma desculpa pra pensarmos em cenas bizarras de ação, para criarmos personagens com habilidades e nomes esdrúxulos e principalmente para realizarmos o sonho de todo adolescente, que é escrever uma história em quadrinhos de super heróis.

E, sim, eu sei que ninguém lê esse maldito blog, mas de qualquer jeito eu me sentiria mal se não postasse isso aqui.

Bom, se alguém cair nessa página por acaso, procurando uma combinação improvável de palavras no Google ou tentando baixar discos obscuros de metal, pós-rock ou coisas sobre as quais a gente escreve (quando escreve), entra na página e lê a revista, vai... é de grátis, então não tem desculpa!

Grizzly Bear


Diz aí assim: O Grizzly Bear é uma banda fantástica. Não me lembro exatamente como ouvi falar deles, mas me recordo de tê-la visto pela primeira vez associada ao pós-rock, e com algum tipo de referência ao Sigur Rós. Pra falar a verdade, achava que o Eddaih que tinha me falado dela. Porém, ao comentar com ele minha descoberta, ele não soube de que estava falando e, portanto, pulo essa etapa e trato o meu segundo contato com eles como o primeiro encontro.

Com dois discos lançados, os excelentes Horn of Plenty (2004) e Yellow House (2006), tomam um direcionamento um pouco tangente à curva comum do pós-rock – por mais larga e abrangente que essa possa ser. Evidentemente mais intimista e menos pomposo que seus colegas mais conhecidos, o GB pode ser definido como uma banda de folk ou country eletrônico, o que acabou lhes valendo um contrato com a Warp Records, uma gravadora essencialmente de musica eletrônica – até onde sei, outra banda, só o Tortoise, que teve o Standards também lançado pela gravadora – famosa por ter em seu cast alguns heróis eletrônicos como o Aphex Twin, e LFO.

Oriundos dos EUA, a terra prometida da tecnologia e do progresso, o som “retrô” da banda é sua característica mais marcante, não no sentido de se fazer um som de outra década ou meio datado, mas por optarem por uma produção menos cristalina. Já nos primeiros tons, efeitos (de muitos) e primeiros acordes de guitarra, fica evidente o approach lo-fi pós-rockista do Grizzly Bear em seu disco de estréia. Uma sonoridade realmente impressionante, ainda mais posto que surgiu praticamente dos esforços caseiros do líder Edward Droste. Ouvir as já clássicas Deep Sea Diver, Don´t ask, Shift é uma experiência estética única, seja pelos vocais sobrepostos, a voz meio sussurrada, o (des)tratamento da produção, o som gramofônico, a miríade de efeitos e instrumentos virtuais, cristais binários, flautas digitais e defeitos propositais.

Aparentemente, a banda surgiu apenas nos estágios finais de sua gravação, o que acabou por gerar dois discos bastante diferentes em termos de composições e arranjos. Comparado a ele – ao debú –, seu segundo lançamento, apesar do certo consenso de que representa um grande avanço na sonoridade da banda, parece mais uma troca, do intimismo sem limites por composições mais arrojadas, mais arranjadas, ainda lo-fi, mas muito mais suave e aberto. Também pudera, agora existia uma banda. Não, eles – ou ele – não se venderam. Pelo contrário, continuam gélidas suas músicas, idílicas, mas trocaram o clima de noite fria na lareira enrolado num cobertor pela manhã gelada e nublada nas montanhas.

É bem interessante se comparar os dois álbuns, já que parecerem seguir um direcionamento oposto. Enquanto o Yellow House vai da banda aos efeitos, por vezes se assemelhe a um som sessentista – às vezes meio Pink Floyd, às vezes meio Beatles, às vezes meio Beach Boys – trabalhado eletronicamente, o Horn of Plenty está mais pra um disco eletrônico, com guitarras sem distorção adicionadas posteriormente ou, no mínimo, concomitantemente. Enquanto este está mais para um monólogo, aquele é mais dialogado. Um é mais denso, saturado, frio, evocativo, desolado, idílico, assustador e escuro. O outro é mais alegre?, rápido?, quente?, urbano?, claro? Só se comparado ao primeiro. Por vezes se tem a sensação de flashback ao se ouvir o Yellow House – experimente ouvir a fantástica Knife e seus adendos eletrônicos, os efeitos sussurrantes e uivantes, os canticozinhos macabros que se somam ao corinho e me diga se o Horn of Plenty não volta à mente.

Além dos já referidos álbuns, o GB tem ainda lançado o não exatamente deles Horn of Plenty, the Remixes (2005), que é o Horn of Plenty... ééé... beeem... de remixes – aparentemente foram “adotados” por seus colegas de gravadora –, do qual, de repente, algum dia, falo sobre – depois de tê-lo ouvido melhor –, um EP de 11 faixas, Friend (2007), do qual não posso falar sobre por não tê-lo ouvido ainda, um single, Knife (2007), ao qual também não ouvi, uma demo, Sorry for the Delay (2006), lançada posteriormente, e um disco vindouro, ou seja, ainda por vir.

O Grizzly Bear é formado por Edward Droste (Voz/Guitarra), Christopher Bear (Bateria/Vocal), Daniel Rossen (Voz/Guitarra) e Christopher Taylor (Baixo/Flautas/Eletrônicos/Vocal)

sábado, 13 de setembro de 2008

Plataforma: metal

Nesses tempos de propaganda eleitoral, é aliviante você encontrar alguém que lança uma campanha com que você concorda 100%.

Não, não estamos falando de obrigatoriedade em vestir roupas pretas, direito absoluto para esculhambar posers e falsos ou mesmo lei de incentivo fiscal para bandas de heavy metal gravarem seus discos.

Outro dia, escrevi sobre o neothrasholdschool e uma das bandas do gênero citadas foi a irlandesa Gama Bomb. Pois os caras lançaram esse mês a campanha mais irada de todos os tempos desse ano:

A campanha 'stamp out inferior metal' consiste em chamar os fãs do 'verdadeiro metal' a comparecerem nos shows da turnê européia da banda (que vai passar por onze países!) e que os tais fãs levem os itens, digamos, constrangedores de suas coleções discográficas. A banda propõe a destruição coletiva dos objetos indesejados na vida de um verdadeiro headbanger em um ritual coletivo de redenção metálica. Tudo fazendo parte da própria apresentação da banda!

Caralho, é por isso que eu ouço heavy metal. Se alguém me perguntar algum dia como eu gosto de metal, vou só mostrar o cartaz da campanha e pronto. Isso é a pura destilação de tudo o que há de mais escroto e genial no estilo.

Bem que alguma banda brasileira podia fazer uma coisa parecida, eu até tenho umas coisas vergonhosas das quais poderia me livrar de forma catártica num evento como esse.

Dá até pra imaginar a cena: um nerd de preto chegando pra outro sorrateiramente e falando 'Pô, cara, tu vai destruir esse CD? Me dá ele aí, me amarro em Evanescence...'. E, no caso de uma explanação por parte do arrependido, a massa cabeluda jutando em cima do rapaz pra lhe dar uns cascudos e exorcizar o demônio falso do corpo dele.

Eu ainda não ouvi muito os discos do Gama Bomb não, mas os caras subiram muito no meu conceito!

E o segundo lugar vai para...



Nem o Kerry King toca isso, o que não representa grande coisa.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

E o prêmio bizarrice da semana vai para...

Um cover completamente aleatório.

Uma versão da banda Spiritwo da Inner self do Sepultura. Num estilo synth pop.

Destaque para a vocalista popozuda. É ver para crer.