
Diz aí assim: O Grizzly Bear é uma banda fantástica. Não me lembro exatamente como ouvi falar deles, mas me recordo de tê-la visto pela primeira vez associada ao pós-rock, e com algum tipo de referência ao Sigur Rós. Pra falar a verdade, achava que o Eddaih que tinha me falado dela. Porém, ao comentar com ele minha descoberta, ele não soube de que estava falando e, portanto, pulo essa etapa e trato o meu segundo contato com eles como o primeiro encontro.
Com dois discos lançados, os excelentes Horn of Plenty (2004) e Yellow House (2006), tomam um direcionamento um pouco tangente à curva comum do pós-rock – por mais larga e abrangente que essa possa ser. Evidentemente mais intimista e menos pomposo que seus colegas mais conhecidos, o GB pode ser definido como uma banda de folk ou country eletrônico, o que acabou lhes valendo um contrato com a Warp Records, uma gravadora essencialmente de musica eletrônica – até onde sei, outra banda, só o Tortoise, que teve o Standards também lançado pela gravadora – famosa por ter em seu cast alguns heróis eletrônicos como o Aphex Twin, e LFO.
Oriundos dos EUA, a terra prometida da tecnologia e do progresso, o som “retrô” da banda é sua característica mais marcante, não no sentido de se fazer um som de outra década ou meio datado, mas por optarem por uma produção menos cristalina. Já nos primeiros tons, efeitos (de muitos) e primeiros acordes de guitarra, fica evidente o approach lo-fi pós-rockista do Grizzly Bear em seu disco de estréia. Uma sonoridade realmente impressionante, ainda mais posto que surgiu praticamente dos esforços caseiros do líder Edward Droste. Ouvir as já clássicas Deep Sea Diver, Don´t ask, Shift é uma experiência estética única, seja pelos vocais sobrepostos, a voz meio sussurrada, o (des)tratamento da produção, o som gramofônico, a miríade de efeitos e instrumentos virtuais, cristais binários, flautas digitais e defeitos propositais.
Aparentemente, a banda surgiu apenas nos estágios finais de sua gravação, o que acabou por gerar dois discos bastante diferentes em termos de composições e arranjos. Comparado a ele – ao debú –, seu segundo lançamento, apesar do certo consenso de que representa um grande avanço na sonoridade da banda, parece mais uma troca, do intimismo sem lim
ites por composições mais arrojadas, mais arranjadas, ainda lo-fi, mas muito mais suave e aberto. Também pudera, agora existia uma banda. Não, eles – ou ele – não se venderam. Pelo contrário, continuam gélidas suas músicas, idílicas, mas trocaram o clima de noite fria na lareira enrolado num cobertor pela manhã gelada e nublada nas montanhas.É bem interessante se comparar os dois álbuns, já que parecerem seguir um direcionamento oposto. Enquanto o Yellow House vai da banda aos efeitos, por vezes se assemelhe a um som sessentista – às vezes meio Pink Floyd, às vezes meio Beatles, às vezes meio Beach Boys – trabalhado eletronicamente, o Horn of Plenty está mais pra um disco eletrônico, com guitarras sem distorção adicionadas posteriormente ou, no mínimo, concomitantemente. Enquanto este está mais para um monólogo, aquele é mais dialogado. Um é mais denso, saturado, frio, evocativo, desolado, idílico, assustador e escuro. O outro é mais alegre?, rápido?, quente?, urbano?, claro? Só se comparado ao primeiro. Por vezes se tem a sensação de flashback ao se ouvir o Yellow House – experimente ouvir a fantástica Knife e seus adendos eletrônicos, os efeitos sussurrantes e uivantes, os canticozinhos macabros que se somam ao corinho e me diga se o Horn of Plenty não volta à mente.
Além dos já referidos álbuns, o GB tem ainda lançado o não exatamente deles Horn of Plenty, the Remixes (2005), que é o Horn of Plenty... ééé... beeem... de remixes – aparentemente foram “adotados” por seus colegas de gravadora –, do qual, de repente, algum dia, falo sobre – depois de tê-lo ouvido melhor –, um EP de 11 faixas, Friend (2007), do qual não posso falar sobre por não tê-lo ouvido ainda, um single, Knife (2007), ao qual também não ouvi, uma demo, Sorry for the Delay (2006), lançada posteriormente, e um disco vindouro, ou seja, ainda por vir.
O Grizzly Bear é formado por Edward Droste (Voz/Guitarra), Christopher Bear (Bateria/Vocal), Daniel Rossen (Voz/Guitarra) e Christopher Taylor (Baixo/Flautas/Eletrônicos/Vocal)
5 comentários:
Baixei esses dias o Yellow house (tocando ao fundo desse post) e realmente ele tem bem mais um clima pra cima dos '60 do que o que eu ouvi do debú lá em Friburgo.
A faixa de abertura desse disco é bem maneira. Mas muita audições ainda serão necessárias pra formar opinião do todo.
(fora o cover deprezão de Owner of a lonely heart... hahaha)
Os efeitozinhos eletrônicos caseiros (vamos lá, outro dia eu li que isso se chamava laptop electronics!) mais uma vez me lembraram o músico americano Benoit Pioulard, que também já tocou numas bandas de pós-rock, mas virou artista solo.
Tipo uma onda folkeira com eletrônicos caseiros. O debú dele (Précis) é bem maneiro e, será coincidência?, ele também tem um disco a ser lançado, ainda esse ano.
Esse Pioulard é o carinha que você me falou que comparavam ao Grizzly Bear ou algo do gênero?
Na verdade, quem comparavam era só eu mesmo...
Mas você disse que disseram que alguém disse que alguma banda era referenciada ao Grizzly Bear. Procede? Foi o que você disse lá em Friburgo.
Não... eu disse que o Grizzly Bear me lembrou esse tal Zé aí.
Pelo menos é o que eu me lembro, vai ver já tinha passado do ponto nessa hora.
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