Música:
Black Sabbath - Technical ecstasy (1976):
Geralmente considerado o disco em que o quarteto de Birmingham deixou a peteca de metal cair, o sétimo álbum de estúdio da banda é também o primeiro em que eles tentam ser descaradamente comerciais. O resultado? Bizarrices como Rock 'n' roll doctor (os vocais esganiçados de Ozzy estão a toda nessa faixa), She's gone e a pavorosa It's alright, certamente um dos piores momentos da longa história da banda (com direito a vocais toscos do baterista Bill Ward, que, coincidentemente ou não, tem uma voz meio Ringo Starr). Outra coisa meio estranha é o título, já que, apesar das influências 'progressivas' que o Sabbath vinha mostrando desde os dois discos anteriores, nada aqui chega perto de um 'êxtase técnico'. É verdade que a banda tem seus momentos de redenção, como a faixa de abertura Back street kids, que antecipa os riffs galopantes a la Iron Maiden, a pesadinha (mas não muito inspirada) You won't change me e a parte instrumental de Dirty women, com uns bons riffs e um belo solo do Tony Iommi. O que não salva o álbum de ser bem fraquinho.
Dio - Dream evil (1987):
O quarto disco de estúdio da banda solo do baixinho ex-Rainbow e ex-Black Sabbath confirma o que já tinha ficado aparente no álbum anterior: a essa altura, o grupo já tinha se dado por satisfeito em reproduzir a fórmula de sucesso dos primeiros discos, só que com uma roupagem mais comercial. Os tecladinhos safados anos 80 dominam grande parte do disco, tornando as músicas mais inofensivas e pouco metálicas, o que chega a ser meio absurdo quando a banda é capitaneada pela voz do Dio (uma das coisas mais metal do universo) e ainda tem o Vinnie Appice na bateria, o que é facilmente um dos destaques do disco. Pra piorar, as composições são metal/hard rock anos 80 dos mais genéricos, sem nenhuma faixa de grande destaque pra salvar a pátria e, pior, todo bom riff que dá as caras vem acompanhado na seqüência de um refrão de rádio banal. No todo, um disco medíocre.
Fimbulwinter - Servants of sorcery (1994):
Na mitologia nórdica, Fimbulwinter é o prelúdio do Ragnarok; e é também uma banda paralela de black metal cruzão do Shagrath do Dimmu Borgir (da época do debú For all tid). Previsivelmente mal gravado e mal tocado, o disco tenta ir naquela direção do tom épico e malvado de Darkthrone e cia. e os elementos todos do estilo estão lá: vocais rasgadões, instrumentação desleixada, muito barulho etc., mas faltou inspiração nos riffs. A atmosfera ameaçadora é criada desde o início, com uma introdução com sinos e ruídos tão ou mais assustadores que as próprias músicas, mas a banda não sai daquelas formulinhas clássicas do estilo tipo faixas longas, lentas e sinistras vs. músicas curtas e rapidinhas meio punks (tem até um cover de Celtic Frost pra não deixar nenhuma dúvida nas influências). Destaque para nomes sensacionais de faixas como When the fire leaps from the ash mountain e Black metal storm (possivelmente as duas melhores músicas do disco).
Jeff Buckley - Grace (1994):
Filho do cantor e compositor americano Tim Buckley (que começou a carreira nos anos 60 e morreu novinho), Jeff Buckley parecia ter o mundo aos seus pés quando lançou esse disco, seu debú, em meados dos anos 90. Elogiado por deus e o mundo, incluindo gente como Jimmy Page, Robert Plant e Bob Dylan, o garoto tinha uma voz espetacular e uma veia rockeira que dava ao seu estilo singer-songwriter algo de diferente. Infelizmente, o cara não seguiu os passos do pai só na música e morreu antes de lançar o segundo disco (existe uma versão incompleta lançada postumamente), virou lenda e é reverenciado e citado como influência por bandas como Radiohead, Muse e Porcupine Tree. E o disco? É realmente muito bom, em especial porque a voz o cara é tão sinistra e versátil que mesmo as músicas mais fracas se tornam passáveis. Não que o disco não tenha grandes momentos, como a grandiosa faixa título, a pesada e funkeada Eternal life e o maravilhoso cover da Hallelujah do Leonard Cohen. Talvez o álbum realmente dependa demais da voz de Buckley pra ser considerado genial, mas é uma pena que o rapaz tenha morrido tão cedo, porque não é qualquer Zé Mané que lança um debú com tanta personalidade.
Quadrinhos:
The Punisher #58-60 (Garth Ennis/Goran Parlov):
Essas são as três últimas edições da lendária era Garth Ennis à frente da revista mensal do Justiceiro. Depois de escrever 37 números da série anterior do personagem, no selo Marvel Knights (que era basicamente uma sátira do gênero super herói em que Frank Castle esculhambava com os personagens que passavam pela revista), Ennis inaugurou a linha Marvel MAX, para um público adulto, com essa série (também chamada de Punisher MAX).
As histórias eram bem mais violentas, sem nenhuma menção aos heróis da Marvel, e o Justiceiro era pouco mais que uma força da natureza que atropelava quem cruzava seu caminho. Seguindo a regra básica de que 'ninguém sobrevive a um encontro com o Justiceiro', Ennis foi criando e matando uma série de personagens inesquecíveis (incluindo o vilão Barracuda, único que quebrou a regra e cruzou o caminho do personagem duas vezes), o que é um dos elementos mais geniais da série.
O fim, com a história Valley Forge, Valley Forge é impressionante principalmente porque ela amarra todas as 60 edições de uma forma tão natural que parece fácil. Aliás, ela ainda amarra a pontas dos especiais e minisséries escritas pelo Ennis sobre o Justiceiro no selo MAX, em especial a maravilhosa Born, sobre a passagem de Frank Castle pela guerra do Vietnã. Uma revista tão genial que eu nem vou me dar ao trabalho de ler as novas edições escritas por outras pessoas.
(a boa notícia é que já está planejada uma minissérie do Justiceiro escrita pelo Ennis no estilo da fase Marvel Knights).
Todos os parceiros de Ennis na arte foram sensacionais: Lewis Larosa, Leandro Fernandez (que melhorou - e muito - nos últimos arcos que desenhou), Doug Braithwaite, Lan Medina, Howard Chaykin e Goran Parlov. As capas de Tim Bradstreet, apesar de um pouco repetitivas, também foram uma verdadeira marca registrada da série (ele também desenhava as capas da era Marvel Knights).
Nenhum comentário:
Postar um comentário