quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Quadrinhos super políticos

A relação das histórias em quadrinhos (ou melhor ainda, da arte seqüencial) com política é longa, interminável e não é minha intenção fazer um retrospecto de tudo o que já foi feito nesse sentido. Até porque, eu sou desocupado, mas nem tanto!

Quando se pensa nessa relação, podemos usar exemplos óbvios que vão desde obras clássicas dos quadrinhos mainstream, como V de vingança ou Watchmen, os próprios O cavaleiro das trevas e 300, do Frank Miller, assim como um milhão de revistas independentes (como Channel zero, do Brian Wood), ou mesmo parte da produção avassaladora de charges em jornais de todos os cantos do mundo (nesse caso, mesmo aqueles que não são arte seqüencial têm uma relação próxima o suficiente com o universo estético dos quadrinhos pra incluirmos nessa lista).

Algo que poucas pessoas pensariam, em especial aquelas que, em uma decisão provavelmente sábia, pararam de gastar seu dinheiro com revistas em quadrinhos durante a crise criativa dos quadrinhos americanos no anos 90, é que revistas como Wildcats e Savage Dragon também já entraram no hall dos quadrinhos políticos.

O Wildcats (que já foi até escrito pelo Alan Moore uma época!) teve uma iteração, adorada pelos poucos fãs que leram esse período, chamada Wildcats 3.0. Essa época durou 24 edições, e foi interrompida bruscamente por baixas vendagens. Como eu nunca li, não posso fazer grandes análises, mas pelo que sei o escritor Joe Casey e o desenhista Neil Googe transformaram o grupo numa espécie de conglomerado de empresas ou coisa do gênero, e as maquinações econômico-políticas tinham muito mais espaço na história do que batalhas épicas ou mulheres peitudas de Jim Lee (pelo que eu li, um dos personagens principais da parada é um contador!).

Mas o motivo de eu ter escrito esse post, é a capa alternativa da próxima edição do Savage Dragon, divulgada no início da semana pelo escritor/artista/criador do personagem Erik Larsen:


Quando eu vi isso no trabalho outro dia, não conseguia parar de rir. E o genial da história é que no preview de cinco páginas dessa edição não tem nenhuma menção ao Obama ou às eleições!

Acho que pouca gente imagina como a liberdade criativa que o povo da Image teve desde a fundação da empresa deu às revistas a possibilidade de entrar em caminhos impensáveis pra quem só acompanhou o nascimento da editora.

O mais maneiro é que quem não abandonou o barco e acompanhou todo esse processo nem se surpreendeu com essa capa. Porque o Erik Larsen fez muito pior com a capa da edição 119:

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