terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma vez tosco... sempre tosco

Todo mundo sabe que o Manowar é a banda mais true metal do planeta. Tão true que os caras não têm vergonha de lançar CDs com capas em que aparecem vestidos de pantufas, com espadas nas mãos, corpos lustrados com óleos e coisas ridículas do gênero.

Os caras se dizem tão metal, mas tão metal que cantam músicas com frases como: "if you're not into metal, you are not my friend"; ou "it's more than our religion, it's the only way to live"; "we don't attract whimps, 'cause we're too loud"; ou ainda "cause I need metal in my life, just like an eagle needs to fly". Pura poesia, afinal, é a banda que lançou o disco se autodenominando Kings of metal.

Por essas e outras, é difícil imaginar os caras da banda dissociados da imagem ultratruemetal que eles criaram.

Bom, agora isso já não é mais tão difícil assim:

Acima: o vocalista Eric Adams e o baixista e líder Joey DeMaio na sua fase descolada 'eu uso calça boca-de-sino mesmo, e daí?'. A foto aparentemente foi tirada em 1976, quando os dois integravam a banda The Looks, sobre a qual me foi impossível achar informações na internet.

Bem que eles podiam reativar a banda, calçar seus sapatos plataforma e lançar o álbum Kings of disco. Pelo menos eles iam demonstrar um pouco de senso de humor.

Caralho, alguém devia imprimir essa foto e levar numa tarde de autógrafos da banda!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pelo retrovisor

Essa semana foi bem devagar, mas o atraso é razoavelmente justificável pelo massacre supremo que foi o show do Mayhem, na sexta feira, mais trabalho no fim de semana e desculpas afins.


Música:

Black Sabbath - Never say die (1978)

Uma continuação bastante natural do seu antecessor, Never say die é mais uma demonstração do Sabbath tentando ser claramente comercial, com pouca coisa que preste como resultado. O disco até que abre bem, com a empolgante faixa título (uma música que tem bastante a ver com aquela mistura de metal e hard rock que se popularizou nas rádios no início dos anos 80) e a decente Johnny Blade. A partir daí, pouca coisa de valor sobra, como a bela balada Air dance (alguém faz um cover dessa música, pelo amor de deus!). As faixas mais descaradamente 'pops' são também as mais dispensáveis e risíveis, como a pentelha Over to you e a péssima Swinging the chain, com vocais do baterista Bill Ward. A falta de foco da banda é evidente, os riffs do Tony Iommi são pouco inspirados e, acima de tudo, o disco evidencia a incompatibilidade da voz do Ozzy com o som que grupo fazia na época. Não à toa, esse seria seu último disco com o Sabbath até a reunião falcatrua já no finzinho dos anos 90.


Dio - Lock up the wolves (1990):

Se desde o debú Holy diver o Dio se manteve fazendo exatamente o mesmo tipo de som, com um mínimo de inspiração e vigor para manter seu nome em evidência, em Lock up the wolves o baixinho mostra definitivamente que sua inspiração se esgotou de vez. A fórmula aqui é a mesma: uma mistura de metal (com um que de power metal) e hard rock (com muitos tecladinhos safados), musiquinha rápida de abertura e faixas mais cadenciadas pontuando o disco. Mesmo com algumas mudanças de peso na formação, a banda do cara ainda é boa (uma curiosidade: o Jens Johansson do Stratovarius é o tecladista do disco), mas não consegue romper a barreira de desinteresse e preguiça das composições. Fica praticamente impossível apontar algum destaque além do vozeirão do Dio, que se mantém poderoso e único, mas se for o caso de ouvir alguma coisa do álbum, a dobradinha de abertura Wild one e Born on the sun até que passa por divertida para um otimista. Caso contrário, Lock up the wolves é um disco fadado a juntar poeira nas estantes de CDs até mesmo dos grandes adoradores de Ronnie James Dio.


Subterranean Masquerade - Temporary psychotic state (2004):

O EP de estréia do grupo americano é uma excelente introdução ao som da banda. Aqui vemos um Subterranean Masquerade um pouco mais contido e menos experimental, mesmo que a base da sonoridade da banda já esteja claramente desenhada. São apenas duas músicas de títulos e durações igualmente longas (o disco tem quase dezoito minutos), mas as faixas constróem perfeitamente uma atmosfera dramática crescente que atinge seu ápice no final. O disco serve também como primeira parte de uma suposta trilogia envolvendo o personagem X, o que faz bastante sentido, já que o clima do EP combina perfeitamente com as composições do LP seguinte. O som dos caras é um metal essencialmente progressivo, ainda que não tenha nada a ver com o que se pensa sobre o gênero de uma forma mais ampla (apesar de ter lá suas ligações com o, digamos, neoprogressivo pós-extremo de bandas como Opeth e Green Carnation), misturando vocais limpos e guturais, passagens acústicas e pesadas, metal e não-metal, e um violino quase onipresente forjando um som absolutamente ímpar. Fácil, fácil, uma das bandas mais promissoras da atualidade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Parem as rotativas!

Outro dia, eu escrevi sobre a safra de shows em 2008, que, mesmo desconsiderando os eventos exclusivamente paulistas, está sendo bem generosa. Por outro lado, nota-se a predominância de repetecos clássicos (e não-tão-clássicos, mas ainda assim repetecos) na lista.

Pois bem.

Tô eu na internet esses dias e, de repente, como quem não quer nada, eu descubro o seguinte: essa sexta agora tem um show do Mayhem no Rio.

Repetindo: essa sexta agora, dia 24, tem um show do Mayhem no Rio.

Sim, esse Mayhem:

O mesmo Mayhem das histórias mais bizarras de bandas de metal (e provavelmente de outros gêneros musicais também) de todos os tempos, cabeças de bode cortadas e arremessadas no público resultando em traumatismos cranianos, tiros na própria cabeça, assassinatos, igrejas históricas queimadas. Entre outras coisas bacaninhas e simpáticas.

O mesmo Mayhem de Necrobutcher e Hellhammer (cara, eu vou ver o Hellhammer tocando ao vivo!). Pra não falar no suicidado Dead (há!), no assassinado Euronymous. Ou no encarcerado Count Grishnackh.

O mesmo Mayhem que lançou o infame 'CD do Gerson Brenner' (não posto a capa aqui por respeito à sensibilidade alheia, mas quem quiser clicar fique à vontade).

Tudo bem, tecnicamente o show não é no Rio. É em Caxias. E Caxias é longe pracacete.

Mas, cara, foda-se!, é Mayhem. Eu vou ver um show do Mayhem. E o ingresso custa 30 reais. 30 reais!

Caralho, meus amigos, essa será a desgraça no ano, quiçá da vida.

Mais notícias em breve... se eu sobreviver.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A frase mais sincera do ano

Todo mundo já deve estar careca que nem o Angus Young de saber que está pra sair o novo CD de estúdio do AC/DC, Black ice. Oito anos depois do último lançamento, a banda australiana vai voltar com mais um disco rechado de músicas idênticas a todas as outras que eles já gravaram!

Mas não sou eu (ou o resto dos nerds que perdem seu tempo com bobagens na internet) que estou falando não.

Da boca do guitarrista-careca e fundador (em tradução livre):

"Tudo que você precisa saber sobre o AC/DC é isso: nós paramos de crescer musicalmente quando tínhamos dezessete anos".

Bom, ninguém pode dizer que o cara não é sincero. E tem mais:

"Quando você tem dezessete anos, você escreve músicas e espera que elas tenham apelo pras outras pessoas de dezessete anos. E a gente ainda escreve músicas pras pessoas de dezessete anos".

(o cara tem 53 anos e é careca)

Bom, não é à toa que ele se veste como um colegial nos shows da banda!

Pra quem interessar, a matéria toda está aqui. Incluindo um videozinho com a clássica presepada de chamar AC/DC uma banda de heavy metal.

Um showzinho dos caras não era nada mal, hein...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

It's alive! (volume 2)

A segunda edição da revista em quadrinhos que eu fiz com o Alvaro (amigo nerd) está online!

Agora com menos ação, mas em compensação com muito mais falação e desenvolvimento de personagens!

E dessa vez, a citação do Frankenstein no título do post até faz algum sentido, já que a edição foi desenhada por três artistas diferentes.

Mas não tem desculpa, vocês têm que ler. É de graça, porra!

Comentários (mesmo aqueles cheios de falsidade) serão bem-vindos. E mandem pros amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos, precisamos de acessos pra ganharmos mais dinheiro com revistas em quadrinhos, o que é algo tão genial quando impensável.

domingo, 19 de outubro de 2008

Pelo retrovisor

Ok, dessa vez sem atrasos!


Música:

Grip Inc. - Power of inner strength (1995):

Com sua saída do Slayer, o baterista Dave Lombardo formou, ao lado do guitarrista alemão Waldemar Sorychta e do vocalista inglês Gus Chambers, sua nova banda, o Grip Inc. O debú é o disco mais propriamente thrash da banda, com algumas músicas que têm lá sua semelhança com o Slayer, mas o lado pós-thrash/groove dos caras já ganha bastante espaço aqui. O CD abre com uma colagem de percussão, bem ao estilo de uma banda liderada por um baterista, depois emendando na dobradinha sensacional Savage seas (retribution) e Hostage to heaven. Apesar de o disco titubear em alguns momentos, a empolgação é mantida em um bom nível graças, em primeiro lugar, a belas composições como Ostracized e Guilty of innocence e, em segundo, à bateria do Dave Lombardo, que aqui demonstra um gás impressionante e rouba o show ainda mais do que fazia no Slayer. As contribuições do guitarrista (principal compositor da banda) e do vocalista (que traz uma bem-vinda energia punk pro som da banda) também são elementos essenciais para a personalidade do grupo. Power of inner strength é o mais feroz disco dos caras e o retrato de uma jovem banda entrando de sola na cena pós-thrash do meio dos anos 90.


Isis - Celestial (2000):

O álbum de estréia do Isis já aponta na direção do som que viria a consagrar a banda na cena sludge/pós-metal/pós-hardcore (há!), mas com composições menos melódicas e refinadas. O disco é pesado do início ao fim e, ao contrário de grande parte do catálogo da banda, se vale de elementos eletrônicos para criar sua ambientação sonora (tanto nas músicas propriamente ditas como nos interlúdios que permeiam o álbum). De qualquer jeito, os principais atributos do Isis já estão em plena demonstração no debú, como os vocais hardcore do líder Aaron Turner, as guitarras hiper-texturizadas e a bateria inacreditavelmente foda, a cargo do Aaron Harris. A influência do pós-rock no som dos caras ainda não era assim tão evidente nessa época, fazendo com que o disco penda mais para o lado sludge, em faixas esmagadoras como Celestial (the tower), Swarm reigns (down) e Gentle time. O peso constante pode causar a impressão de uma certa repetição e um efeito de esgotamento, mas é inegável que aqui o Isis já buscava sua identidade sonora, com uma boa dose de sucesso.


Led Zeppelin - Physical grafitti (1975):

Como quase todas as bandas dos anos 70, o Led Zeppelin se entregou com Physical graffiti à perigosa tentação do álbum duplo. O que é uma pena, porque, apesar de contar com boas músicas, o sexto disco dos caras se perde na duração exageradamente longa e nos inevitáveis fillers que aparecem nesse tipo de lançamento. Uma coletânea com os destaques do disco poderia figurar facilmente entre os melhores trabalhos da banda, incluindo pelo menos um clássico indiscutível (a épica Kashmir, com um dos riffs mais facilmente identificáveis do universo), bons exemplos dos hard blues dos caras, como a dobradinha de abertura Custard pie e The rover, além de coisas mais 'experimentais', tipo a instrumental acústica Bron-yr-aur e Down by the seaside. Infelizmente, as tradicionais músicas extra-longas como In my time of dying e In the light quebram o ritmo do disco e a grande quantidade de material desnecessário fazem da audição do LP do início ao fim uma tarefa ingrata.


Metallica - Death magnetic (2008):

Ver post gigante.


Overkill - Horrorscope (1991):

Como todas as bandas clássicas de thrash, no início dos anos 90 o Overkill estava em uma fase de transição no seu som (o que no caso também se refletiu em mudanças de formação). Trocando parte da sua velocidade por riffs mais pesados e arrastados, a banda acabou também perdendo um pouco da energia e empolgação características dos primeiros anos. A base do metal deles está intacta: riffs thrash aliados a uma sensibilidade quase power metal, vocais esganiçados acompanhados de corinhos na hora do refrão e músicas mais pesadas e sinistras. Horrorscope conta com grandes composições, como a faixa de abertura Coma, o hit Thanx for nothing, a pesadona New machine e a quase-balada (!!!) Solitude, mas a falta de energia faz com que várias faixas de bom potencial passem meio batidas. Por outro lado, o disco nunca cai num nível real de ruindade e, de certa forma, esse é o disco que consolida de fato o verdadeiro som do Overkill (desenvolvido com clareza no disco anterior), fazendo com que esse seja um disco crucial na trajetória do grupo novayorkino.


Livros:

La otra orilla (Julio Cortázar, 1945):

Primeiro livro de contos do argentino Julio Cortázar, La otra orilla é uma compilação de relatos do escritor, feitos no período entre 1937 e 1945. O largo espaço de tempo em que os treze contos (organizados em três 'capítulos') foram escritos já dá a dimensão irregular e dispersa que os textos têm (o próprio livro começa com uma espécie de disclaimer do autor, que justifica o agrupamento a partir da instatisfação que os contos causavam nele e a subseqüente vontade de escrever algo melhor). Os textos aqui ainda estão longe de representar a genialidade lietrária do Cortázar, mas é inegável a força de contos como Bruja, Distante espejo, Los limpiadores de estrellas (genial) e o meio afetado, mas belo Breve curso de oceanografía. Grande parte dos contos já passeia pelo mundo da literatura fantástica, gênero com o qual o autor se relacionou ao longo de toda sua carreira, em particular nos relatos curtos (se bem que aqui estão ligados a esse universo de forma mais explícita e menos sutil). Longe de ser o melhor exemplo da literatura cortazariana, La otra orilla é, ainda assim, um bom livro pra se entender as origens lietrárias do escritor argentino.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sessão dessa pra melhor: Gus Chambers

O Grip Inc. foi uma das bandas mais interessantes surgidas nos anos 90. Formado após a saída do baterista Dave Lombardo do Slayer, o grupo praticava um pós-thrash empolgante e muito, muito pesado. Em especial se considerarmos que eles só tinham uma guitarra.

Apesar de o Grip Inc. ser sempre lembrado como 'a banda do Dave Lombardo' (e o grupo certamente ficará gravado assim na história do metal), o som deles estava longe de depender exclusivamente da técnica sobre-humana do baterista para funcionar. Nas guitarras, estava o produtor alemão Waldemar Sorychta (que trabalhou com gente como Borknagar, The Gathering, Sentenced e que ganhou fama produzindo o Wildhoney do Tiamat); no baixo, a banda teve dois membros, o americano Jason Viebrooks e o canadense Stuart Carruthers; e, nos vocais, o inglês Gus Chambers. E, levando em conta que o Dave Lombardo é cubano, poderia se dizer que o Grip Inc. é uma banda genuinamente internacional.

Além das composições e das guitarras texturizadas do Waldemar Sorychta e das baquetas inimitáveis, os caras contavam com uma grande força nos vocais do Gus Chambers. O cara trouxe uma clara herança do punk inglês ao som do grupo e sua voz menos polida e técnica, mais suja do que se costuma ouvir no heavy metal, dava um gás extra, uma descarga de energia (pra fazer uma citação descarada de uma banda que certamente teve influência nos vocais do cara) que fazia do Grip Inc. uma banda bem mais particular e interessante. Uma das coisas mais maneiras da voz dele é que você conseguia perceber claramente que o sujeito era inglês só ouvir ele cantar/gritar.

O primeiro disco, Power of inner strength, ainda tinha alguns resquícios do thrash mesmo, mas a banda foi se aprofundando no pós-thrash/groove metal conforme o tempo passou. Os discos na seqüência, Nemesis e, especialmente, Solidify consolidaram o estilo perculiar do grupo. Infelizmente, os caras nunca romperam o estigma de 'banda do Dave Lombardo' e, com a overdose de bandas do gênero que eles tocavam, não chegaram a fazer tanto barulho como poderiam no panorama do metal anos 90.

Com o fim da década, o Grip Inc. ficou uns anos em silêncio e retornou, em 2004, com o disco Incorporated, muito provavelmente o mais ousado da sua curta discografia, que, mais uma vez, não conseguiu dar à banda a projeção que eles mereciam. Com a volta do Dave Lombardo pro Slayer, a carreira da banda ficou suspensa.

E, agora, com a morte do vocalista Gus Chambers, fica impensável o retorno da banda à ativa, sem um dos elementos que davam ao grupo sua personalidade ímpar no metal mundial.

Hora de desencavar os discos da prateleira e dar umas ouvidas em pedradas tipo Savage seas, Hostage to heaven, Ostracized, Isolation e Griefless em homenagem ao cara!