segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pelo retrovisor

Essa semana foi bem devagar, mas o atraso é razoavelmente justificável pelo massacre supremo que foi o show do Mayhem, na sexta feira, mais trabalho no fim de semana e desculpas afins.


Música:

Black Sabbath - Never say die (1978)

Uma continuação bastante natural do seu antecessor, Never say die é mais uma demonstração do Sabbath tentando ser claramente comercial, com pouca coisa que preste como resultado. O disco até que abre bem, com a empolgante faixa título (uma música que tem bastante a ver com aquela mistura de metal e hard rock que se popularizou nas rádios no início dos anos 80) e a decente Johnny Blade. A partir daí, pouca coisa de valor sobra, como a bela balada Air dance (alguém faz um cover dessa música, pelo amor de deus!). As faixas mais descaradamente 'pops' são também as mais dispensáveis e risíveis, como a pentelha Over to you e a péssima Swinging the chain, com vocais do baterista Bill Ward. A falta de foco da banda é evidente, os riffs do Tony Iommi são pouco inspirados e, acima de tudo, o disco evidencia a incompatibilidade da voz do Ozzy com o som que grupo fazia na época. Não à toa, esse seria seu último disco com o Sabbath até a reunião falcatrua já no finzinho dos anos 90.


Dio - Lock up the wolves (1990):

Se desde o debú Holy diver o Dio se manteve fazendo exatamente o mesmo tipo de som, com um mínimo de inspiração e vigor para manter seu nome em evidência, em Lock up the wolves o baixinho mostra definitivamente que sua inspiração se esgotou de vez. A fórmula aqui é a mesma: uma mistura de metal (com um que de power metal) e hard rock (com muitos tecladinhos safados), musiquinha rápida de abertura e faixas mais cadenciadas pontuando o disco. Mesmo com algumas mudanças de peso na formação, a banda do cara ainda é boa (uma curiosidade: o Jens Johansson do Stratovarius é o tecladista do disco), mas não consegue romper a barreira de desinteresse e preguiça das composições. Fica praticamente impossível apontar algum destaque além do vozeirão do Dio, que se mantém poderoso e único, mas se for o caso de ouvir alguma coisa do álbum, a dobradinha de abertura Wild one e Born on the sun até que passa por divertida para um otimista. Caso contrário, Lock up the wolves é um disco fadado a juntar poeira nas estantes de CDs até mesmo dos grandes adoradores de Ronnie James Dio.


Subterranean Masquerade - Temporary psychotic state (2004):

O EP de estréia do grupo americano é uma excelente introdução ao som da banda. Aqui vemos um Subterranean Masquerade um pouco mais contido e menos experimental, mesmo que a base da sonoridade da banda já esteja claramente desenhada. São apenas duas músicas de títulos e durações igualmente longas (o disco tem quase dezoito minutos), mas as faixas constróem perfeitamente uma atmosfera dramática crescente que atinge seu ápice no final. O disco serve também como primeira parte de uma suposta trilogia envolvendo o personagem X, o que faz bastante sentido, já que o clima do EP combina perfeitamente com as composições do LP seguinte. O som dos caras é um metal essencialmente progressivo, ainda que não tenha nada a ver com o que se pensa sobre o gênero de uma forma mais ampla (apesar de ter lá suas ligações com o, digamos, neoprogressivo pós-extremo de bandas como Opeth e Green Carnation), misturando vocais limpos e guturais, passagens acústicas e pesadas, metal e não-metal, e um violino quase onipresente forjando um som absolutamente ímpar. Fácil, fácil, uma das bandas mais promissoras da atualidade.

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