Música:
Grip Inc. - Power of inner strength (1995):Com sua saída do Slayer, o baterista Dave Lombardo formou, ao lado do guitarrista alemão Waldemar Sorychta e do vocalista inglês Gus Chambers, sua nova banda, o Grip Inc. O debú é o disco mais propriamente thrash da banda, com algumas músicas que têm lá sua semelhança com o Slayer, mas o lado pós-thrash/groove dos caras já ganha bastante espaço aqui. O CD abre com uma colagem de percussão, bem ao estilo de uma banda liderada por um baterista, depois emendando na dobradinha sensacional Savage seas (retribution) e Hostage to heaven. Apesar de o disco titubear em alguns momentos, a empolgação é mantida em um bom nível graças, em primeiro lugar, a belas composições como Ostracized e Guilty of innocence e, em segundo, à bateria do Dave Lombardo, que aqui demonstra um gás impressionante e rouba o show ainda mais do que fazia no Slayer. As contribuições do guitarrista (principal compositor da banda) e do vocalista (que traz uma bem-vinda energia punk pro som da banda) também são elementos essenciais para a personalidade do grupo. Power of inner strength é o mais feroz disco dos caras e o retrato de uma jovem banda entrando de sola na cena pós-thrash do meio dos anos 90.
Isis - Celestial (2000):O álbum de estréia do Isis já aponta na direção do som que viria a consagrar a banda na cena sludge/pós-metal/pós-hardcore (há!), mas com composições menos melódicas e refinadas. O disco é pesado do início ao fim e, ao contrário de grande parte do catálogo da banda, se vale de elementos eletrônicos para criar sua ambientação sonora (tanto nas músicas propriamente ditas como nos interlúdios que permeiam o álbum). De qualquer jeito, os principais atributos do Isis já estão em plena demonstração no debú, como os vocais hardcore do líder Aaron Turner, as guitarras hiper-texturizadas e a bateria inacreditavelmente foda, a cargo do Aaron Harris. A influência do pós-rock no som dos caras ainda não era assim tão evidente nessa época, fazendo com que o disco penda mais para o lado sludge, em faixas esmagadoras como Celestial (the tower), Swarm reigns (down) e Gentle time. O peso constante pode causar a impressão de uma certa repetição e um efeito de esgotamento, mas é inegável que aqui o Isis já buscava sua identidade sonora, com uma boa dose de sucesso.
Led Zeppelin - Physical grafitti (1975):Como quase todas as bandas dos anos 70, o Led Zeppelin se entregou com Physical graffiti à perigosa tentação do álbum duplo. O que é uma pena, porque, apesar de contar com boas músicas, o sexto disco dos caras se perde na duração exageradamente longa e nos inevitáveis fillers que aparecem nesse tipo de lançamento. Uma coletânea com os destaques do disco poderia figurar facilmente entre os melhores trabalhos da banda, incluindo pelo menos um clássico indiscutível (a épica Kashmir, com um dos riffs mais facilmente identificáveis do universo), bons exemplos dos hard blues dos caras, como a dobradinha de abertura Custard pie e The rover, além de coisas mais 'experimentais', tipo a instrumental acústica Bron-yr-aur e Down by the seaside. Infelizmente, as tradicionais músicas extra-longas como In my time of dying e In the light quebram o ritmo do disco e a grande quantidade de material desnecessário fazem da audição do LP do início ao fim uma tarefa ingrata.
Metallica - Death magnetic (2008):Ver post gigante.
Overkill - Horrorscope (1991):Como todas as bandas clássicas de thrash, no início dos anos 90 o Overkill estava em uma fase de transição no seu som (o que no caso também se refletiu em mudanças de formação). Trocando parte da sua velocidade por riffs mais pesados e arrastados, a banda acabou também perdendo um pouco da energia e empolgação características dos primeiros anos. A base do metal deles está intacta: riffs thrash aliados a uma sensibilidade quase power metal, vocais esganiçados acompanhados de corinhos na hora do refrão e músicas mais pesadas e sinistras. Horrorscope conta com grandes composições, como a faixa de abertura Coma, o hit Thanx for nothing, a pesadona New machine e a quase-balada (!!!) Solitude, mas a falta de energia faz com que várias faixas de bom potencial passem meio batidas. Por outro lado, o disco nunca cai num nível real de ruindade e, de certa forma, esse é o disco que consolida de fato o verdadeiro som do Overkill (desenvolvido com clareza no disco anterior), fazendo com que esse seja um disco crucial na trajetória do grupo novayorkino.
Livros:
La otra orilla (Julio Cortázar, 1945):Primeiro livro de contos do argentino Julio Cortázar, La otra orilla é uma compilação de relatos do escritor, feitos no período entre 1937 e 1945. O largo espaço de tempo em que os treze contos (organizados em três 'capítulos') foram escritos já dá a dimensão irregular e dispersa que os textos têm (o próprio livro começa com uma espécie de disclaimer do autor, que justifica o agrupamento a partir da instatisfação que os contos causavam nele e a subseqüente vontade de escrever algo melhor). Os textos aqui ainda estão longe de representar a genialidade lietrária do Cortázar, mas é inegável a força de contos como Bruja, Distante espejo, Los limpiadores de estrellas (genial) e o meio afetado, mas belo Breve curso de oceanografía. Grande parte dos contos já passeia pelo mundo da literatura fantástica, gênero com o qual o autor se relacionou ao longo de toda sua carreira, em particular nos relatos curtos (se bem que aqui estão ligados a esse universo de forma mais explícita e menos sutil). Longe de ser o melhor exemplo da literatura cortazariana, La otra orilla é, ainda assim, um bom livro pra se entender as origens lietrárias do escritor argentino.
Nenhum comentário:
Postar um comentário