Essas bandas de metal... realmente. É impressionante a capacidade que essa negada tem de ter idéias esdrúxulas.
Atualmente, está rolando, no mundo inteiro, uma espécie de revival do thrash old school. De certa forma, essa tendência vem aparencendo de uma forma ou de outra desde a segunda metade dos anos '90, época em que o gênero tinha acabado de passar pelo ponto mais baixo desde a sua concepção.
Nesse período, começaram a surgir diversas bandas, na sua maioria obscuras, de retro-thrash, algumas de puro thrash (como Guillotine e Cranium) e outras que misturavam o estilo com influências então contemporâneas, como por exemplo os suecos Bewitched e Witchery, ou os noruegueses do Aura Noir, que adicionavam elementos do black na fórmula thrash; ou o sueco The Haunted, que misturava pós-thrash, hardcore e death com um thrash a la Slayer.
(isso sem contar que os gêmeos Bjorler do The Haunted tinham praticamente inventado a fórmula oficial do death melódico com a ex-banda At the Gates, estilo que tem tanto ou mais de thrash do que death)
O capítulo hardcore com thrash, então, é um caso à parte. Nos Estados Unidos, todo um movimento surgiu na virada do milênio a partir da mistura do thrash com hardcore com death melódico (que, de novo, já tem em si muito do thrash): o metalcore. É verdade que muitas das bandas do dito metalcore não têm lá muito a ver com thrash, mas, assim como em todos os gêneros musicais, a categoria que inicialmente representava um panorama e uma tendência de maneira mais ampla no metal norte-americano acabou se transformando em uma fórmula definida e fechada. E a fórmula do metalcore, essa sim é herdeira direta do thrash.
A lista de bandas, muitas delas extremamente populares, inclue nomes como Lamb of God, Shadows Fall, Trivium, Killswitch Engage etc.
Claro que a rápida popularização do metalcore no Estados Unidos gerou um coro de fãs "reais", que criticavam as tais bandas por não serem thrash "de verdade" e diziam que o público que gostava de metalcore e defendia a popularidade do gênero como um ressurgimento metálico na consciência popular não entendia porra nenhuma de metal.
Daí, surge o novo panorama do neothrasholdschool.
O engraçado é ver como esse movimento não é algo localizado em apenas um lugar, mas que está espalhado mundialmente. A lista de bandas é enorme e crescente, mas entre algumas que eu já ouvi estão as brasileiras Violator (ultrafodaça, melhor da geração que eu conheço), Eternal Devastation e Agressor; as britânicas Gama Bomb e Evile; e as norte-americanas Fueled by Fire e Bonded by Blood.
Os nomes de algumas das bandas já indicam a idolatria ao passado que existe nesse novo subsubsubgênero do metal atual. O problema é que a nostalgia parece estar afetando as bandas das antigas também.
Além da reunião de diversos grupos da época áurea do thrash (volta da formação original do Testament, bandas como Forbidden, Assassin, Possessed, Onslaught e outros voltando a tocar; e mais coisas que não me vêm à mente agora), alguns conjuntos que já estavam na ativa estão aderindo à tendência de revisitar seu passado.
Ano passado, o Destruction lançou o CD picareta Thrash anthems, com duas músicas inéditas e várias regravações de clássicos da fase áurea. O Sodom seguiu o exemplo e gravou The final sign of evil, mais um disco de releituras questináveis de faixas do início da carreira. Como desculpa, as bandas sempre têm argumentos como "a qualidade das gravações originais era uma merda" ou "vamos comemorar algum aniversário aleatório".
Agora, é a vez de uma das bandas mais históricas e fodas do thrash cometer outro erro grotesco nessa linha.
O Exodus vai lançar uma regravação do Bonded by blood, chamada Let there be blood.
Além de o próprio conceito de regravar um dos discos mais clássicos do metal já cheirar mal por si só, a empreitada faz ainda menos sentido se pensarmos em duas coisas: a banda, atualmente, só tem um membro da época incial, o guitarrista e líder Gary Holt; e eles já lançaram um álbum que é praticamente uma regravação do Bonded by blood, um dos melhores discos ao vivo da história da música, Another lesson in violence. Sem contar que esse álbum trazia à frente do grupo o saudoso Paul Baloff, um dos vocalistas mais aloprados e únicos que já existiram e que deu ao debú do Exodus grande parte do seu caráter definitivo.
O pior é que a banda, depois do retorno com o devastador Tempo of the damned, vinha gravando bons discos... então pra que fazer essas presepadas de mexer com um registro atemporal, em vez de lançar logo a porra do novo CD de estúdio (já anunciado desde o ano passado)? Isso só serve pra manchar o currículo dos caras e ganhar um caráter de caça-níquel filho da puta.
Nessas horas a gente tem que dar graças a deus que o Testament, apesar de ter passado por todas essas fases (disco de regravação dispensável com o First strike still deadly e reunião comemorativa da formação original), conseguiu juntar as peças e lançar o ultrafodademais The formation of damnation, facilmente um dos melhores discos de metal do ano até aqui.
Vamos torcer pras outras bandas seguirem o exemplo.
PS: A ressurgência do thrash é tão evidente que está pra ser lançado em DVD o documentário Get thrashed, sobre as origens do subgênero, que inclusive já passou em mais de 20 festivais internacionais de cinema. Espero que essa merda venha pro Festival do Rio (que em 2004 passou o bizarro Some kind of monster, sobre o Metallica), pra eu poder fazer uma resenha empolgada aqui no blog.
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5 comentários:
Cara,
vc já ouviu falar de Mathcore? Aparentemente é como se fosse um punk progressivo, com muito experimentalismo, harmonias e tempos não convencionais, virtuosismo e coisas do gênero. Tenho ouvido uma banda desse sub-genero que é bem maneira: Protest the Hero.
Na wikipedia, tem uma lista de bandas de Mathcore.
Imagino que vc já deva conhecer, mas é só porque eu lembrei disso ao ler esse post.
Falou!
Cara,
Dessas bandas de mathcore eu gosto bastante do Dillinger Escape Plan, que é uma das pioneiras, se não for a fundadora mesmo do gênero. Pra você que é fã de Faith no More, eles têm um EP em que o Mike Patton é o vocalista, chamado Irony is a dead scene, de repente vale dar uma checada. A banda é bem fodinha.
Fora eles, não conheço o estilo muito profundamente não, apesar de sempre esbarrar numas bandas nas minhas andanças pelo RYM.
Entre as bandas que eu já ouvi e que poderiam se enquadrar no gênero, estão o Converge e o Psyopus (essa é absolutamente insana).
Protest the Hero já ouvi falar, mas nunca cheguei a ouvir não. Vou ver se dou uma checada e te falo o que achei.
De repente dou uma estudada no estilo com mais calma e faço um post depois.
Abraços!
Eu já tinha ouvido falar de math rock, um pós-rock mais surtado tecnicamente, com uns tempos bizarros, riffs angulares coisas do gênero. Nunca escutei nenhuma banda do estilo, mas a descrição me faz lembrar do discipline, do King Crimson.
Quanto ao thrash, fiquei empolgado pra ver o documentário. Não vi nem o outro, sobre Metal, que passou aqui no festival do Rio. Depois baixo os dois pra ver.
O documentário do metal não passou no Festival do Rio não... foi no circuito comercial mesmo, o que só potencializa a genialidade de se ver um filme sobre heavy metal no cinema.
Poucas coisas podem se comparar ao final desse filme, com Master of puppets rolando de fundo pra platéia ensandecida do Wacken depois de um discurso pró-metal piegas, mas deveras efetivo.
Parecido com isso, só ver ao vivo um concerto de orquestra tocando músicas de videogame... é a realização total da nerdice.
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