segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pelo retrovisor

Ok, segundo post da série e já vem atrasado. Mas eu tenho bons motivos! Festival do Rio e posts absurdamente longos, então nem vem. Vamos lá ao review da semana:


Música:

Art Metal - Art metal (2007):

Liderado pelo baixista sueco Jonas Hellborg (um monstro), o sexteto Art Metal toca uma espécie de fusion metal, em que riffs e levadas bem metal servem de base para jams e improvisações alucinadas. Apesar de o baixo ser a estrela maior do show, o guitarrista Mattias IA Eklund também tem a chance de mostrar suas excepcionais habilidades, particularmente nos solos absolutamente sensacionais. A base pesada das músicas remete a outra banda técnica e instrumental que lançou seu primeiro disco em 2007, o animal Blotted Science, mas a banda sueca também explora sonoridades não-metálicas, como influências de música oriental (Nataraja) e passagens mais leves e viajantes (The three princes of Serendip). Às vezes as músicas tendem a se dispersar um pouco, mas é inegável que, quando os caras acertam, o resultado é muito empolgante. Uma curiosidade para os fãs de metal é que nos teclados e na bateria estão os irmãos Jens e Anders Johansson, responsáveis pelos mesmos instrumentos no Stratovarius e no Hammerfall, respectivamente. E aqui eles mostram que realmente tocam pracaralho!


Quadrinhos:

All-Star Superman #12 (Grant Morrison/Frank Quitely):

Com essa revista, a melhor história de todos os tempos dos últimos anos do homem de aço chega ao fim. Com roteiros do tresloucado Grant Morrison e desenhos do genial Frank Quitely (dupla responsável por uma das melhores minisséries já publicadas, a genial WE3), não era de se esperar algo menos que sensacional e os dois cumpriram as expectativas com louvor. Morrison buscou inspiração na era de prata dos quadrinhos, com roteiros alucinados e mais 'inocentes' do que essa praga de quadrinhos 'sérios' e 'adultos' que são publicados hoje em dia. Acontece um pouco de tudo nas histórias e os dois incluem diversos elementos da mitologia do personagem (como quase todos os personagens coadjuvantes clássicos e a grande maioria dos vilões famosos) de maneira inteligente e inusitada.

Se valendo da vantagem de estarem trabalhando com uma série fora da continuidade, as doze edições foram pensadas como histórias individuais que representam também os últimos dias de vida do Super Homem. Uma espécie de analogia com os doze trabalhos de Hércules, a série acompanha Kal-El/Clark Kent completando os desafios que iam surgindo, enquanto se preparava para o fim dos seus dias (anunciado na primeira edição da série). O final, com a despedida do Super Homem da Terra, consegue não ser excessivamente sentimentalóide ao mesmo tempo em que reafirma o papel do personagem como herói e deixa em aberto a possibilidade de novas histórias nessa mesma 'continuidade à parte' que Morrison e Quitely criaram.

Apesar de dar uma certa tristeza saber que não teremos mais edições dessa história (pelo menos não num futuro próximo), é reconfortante ver que as revistas mensais do último filho de Krypton estão nas boas mãos de Geoff Johns e James Robinson (com ótimos desenhos de Gary Frank e do brasileiro Renato Guedes!) e que os dois vêm fazendo um bom trabalho com o personagem.

E agora eu quero é ver quem a DC vai colocar no lugar da dupla Morrison e Quitely nessa revista. Vai ser difícil se manter nesse nível... ah se vai.


Cinema:

A mulher sem cabeça (Lucrecia Martel):

Desde que lançou seu primeiro longa, O pântano, em 2001, a cineasta argentina Lucrecia Martel se tornou uma das queridinhas do circuito internacional de festivais. A mulher sem cabeça é o terceiro filme da diretora, em que ela realiza, mais uma vez, um cinema de difícil apreensão à primeira vista, primordialmente sensorial, por vezes confuso, mas muito interessante. Além da grande capacidade de Lucrecia de compor algumas imagens belíssimas e climas tensos, fica evidente o esforço da cineasta em fugir aos caminhos narrativos tradicionais do cinema.

A mulher sem cabeça acompanha a história de Veronica, uma mulher de família rica do interior da Argentina que atropela alguma alguma coisa em uma estrada. Sem saber se a vítima do acidente foi uma pessoa ou um animal, ela fica tomada pela possibilidade de ter matado um ser humano. O filme traduz em sons e imagens fantasmagóricos a sensação que assombra a protagonista, que não consegue retomar sua vida normal depois do acontecido. A natureza introspectiva e viajante do filme acaba por vezes alienando (e entediando) o espectador, mas é inegável que há vários momentos de grande força e beleza no filme.

Pra quem não procura explicações ou uma história narrada convencionalmente, A mulher sem cabeça é uma boa pedida (e está no Festival do Rio, mas muito provavelmente vai passar no circuito comercial, então não é nenhuma orbigação vê-lo agora).


Última parada 174 (Bruno Barreto):

Longa-metragem brasileiro selecionado para concorrer a uma vaga no Oscar 2009, Última parada 174 vai chegar ao circuito comercial cercado de expectativas. O filme nasceu a partir de outro filme, o excelente documentário Ônibus 174, de José Padilha (o mesmo de Tropa de elite), que tinha o seqüestro do ônibus da linha 174 (dã!) como ponto de partida para analisar a situação de violência que a cidade vive até hoje. Com Última parada 174, o diretor de Dona Flor e seus dois maridos e do indicado ao Oscar O que é isso, companheiro? reconstrói a história de vida do seqüestrador Sandro do Nascimento, acrescentando alguns elementos dramatizados e romantizados, porque, afinal, ninguém é de ferro.

Se a própria proposta de 'refilmar' uma história que já tinha sido tão bem retratada nas telas já parecia meio furada, o olhar sobre a violência urbana carioca também vem se desgastando no cinema desde a realização do documentário Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles e Kátia Lund, em 1999. Então fica a pergunta: qual é o propósito desse filme? A narrativa ficcional criada por Bruno Barreto e pelo roteirista Bráulio Mantovani (o mesmo de Cidade de Deus...) pouco acrescenta ao que já se viu sobre a vida do menino Sandro (a não ser com as partes possivelmente dramatizadas), e inclusive exclui coisas do documentário que davam uma dimensão mais humana ao personagem (como as aulas de capoeira que ele fazia perto da PUC ou a impressão de menino sensível que as pessoas que conviveram com ele passam nos seus depoimentos).

A criação de um novo personagem, Alê, parece querer arrastar para a trama, de forma meio truncada, um dos depoimentos mais impactantes de Ônibus 174, do bandido que fala com o rosto coberto por uma meia, ao mesmo tempo em que contrói a dimensão de 'destino' que a tragédia pessoal do sequestrador tem no filme. Para reforçar esse aspecto fatalístico, o filme usa recursos pseudo-poéticos e/ou misteriosos como o esfregar dos dedos do protagonista e os copos que caem, que simplesmente não funcionam. Já o lado 'realista' e 'cru' do filme desaba sob o peso de atuações fracas (com a louvável exceção do jovem protagonista Michel Gomes) e de um diálogo pesado, que tenta ser coloquial, mas nunca consegue deixar de soar exagerado e forçado.

Então o filme é todo uma merda? Nem tanto... além da esperada qualidade técnica, ele tem imagens interessantes do Rio de Janeiro, filtradas pela proposta do diretor de 'filmar a pobreza com raiva' ou coisa parecida. O fato é que, ao contrário das produções de grande sucesso sobre o tema, Última parada 174 tem uma construção visual mais crua, menos polida e um olhar minimamente diferente sobre a 'cidade maravilhosa', que aqui é retratada como opressora não só na periferia, mas também no centro (onde o jovem Sandro sobreviveu ao massacre da Candelária) e na própria zona sul (onde acontece o desfecho trágico da história).

Só que isso é muito pouco pra salvar o filme, em especial porque ele promete o tempo todo um ápice emocional com a chegada iminente da tragédia do ônibus, o que é arruinado no fim por uma série de clichês, montagem extremamente piegas e câmeras lentas desnecessárias. O uso de uma textura diferente, mais próxima do vídeo, para recriar as imagens televisivas do seqüestro também não funciona, não convencendo como substituto para as imagens de arquivo, muito mais poderosas, nem como uma narrativa propriamente ficcional. O filme ainda tenta escapar do estigma de filme-baseado-em-fatos-reais em que já sabemos o fim da história ao inventar uma cena que funciona de adendo para a história do protagonista e que tenta representar uma espécie de possibilidade de rendenção para os personagens que o cercam.

A verdade é que a questão da justificativa dos atos de Sandro através de uma vitimização (que porra de palavra é essa?) do rapaz, que já está em discussão ardente em blogs, mesas de bar e portas de cinemas, me parece meio babaca, afinal de contas o garoto não é mostrado no filme como inocente, inclusive rejeitando ou deixando passar oportunidades de recuperação/redenção e entrando por suas próprias ações no caminho que o levou ao fatídico seqüestro do ônibus.

Mais que isso, toda essa questão fica mesmo em segundo plano frente à fragilidade do filme, que simplesmente não tem força cinematográfica pra amplificar o debate e, como fizeram seus predecessores espirituais Cidade de Deus e Tropa de elite, romper a sala de cinema para chegar à sociedade de forma mais ampla.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Feliz metal

Heavy metal e natal não são exatamente duas coisas que se misturam com muita freqüência. Imagina o Papai Noel vestido de couro vermelho e dando agudinhos de André Matos. Melhor ainda, cabeludão, todo tatuado e urrando feito Chris Barnes!

Mas nada disso impediu que a gravadora Armoury Records organizasse o CD We wish you a metal xmas and a headbanging new year!, em que músicos de hard rock e metal tocam versões pesadas de clássicos natalinos.


Um dos idealizadores da parada foi o ex-guitarrista do Kiss (quem mais poderia pensar em algo tão picareta e cara de pau?) Bruce Kulick, que juntou uma lista impressionante que inclui gente como Alice Cooper, Lemmy, Dave Grohl, Dio, Tony Iommi, Ripper Owens, Chuck Billy e Scott Ian, entre (muitos) outros. Porra, estou certo de que ouvir o Chuck Billy cantando Silent night vai ser um dos ápices da minha existência (em especial se ele colocar urros de death metal no meio da música).

Por algum motivo, o disco vai sar na data aleatória de 14 de outubro, e não nas festas de fim de ano. De qualquer jeito, no meu natal vai tocar essa joça aí, com certeza.

Pra quem quiser ouvir um sample, a versão do trio Lemmy, Billy Gibbons (guitarrista do ZZ Top) e Dave Grohl para a música Run, Rudolph, run (canção natalina sobre uma das renas do Papai Noel popularizada em versão rock 'n' roll pelo vovô Chuck Berry) está no myspace do CD. Diversão total.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Post scriptum para posts de quadrinhos

Bom, falando de quadrinhos e links, não sei se alguém se deu ao trabalho de ler meus posts, devido à enorme quantidade de comentários que vêm aparecendo no blog.

Mas, enfim, achei informações complementares interessantes sobre assuntos já citados:

Pra quem já leu ou ficou interessado em ler a revista Local, o site Comic book resources publicou um comentário página-a-página feito pela dupla artista e desenhista, Brian Wood e Ryan Kelly, sobre a edição #6 (que se passa no Brooklyn). Além de ser uma boa oportunidade de se ler um número inteiro da revista sem recorrer a downloads ilegais, é mais uma chance de acompanhar o processo criativo por trás de uma das melhores séries dos últimos tempos.

Falando em Brian Wood, o site Newsarama disponibilizou esses dias a última parte da série Doing the Demo, sobre a criação do primeiro volume da revista Demo com a artista Becky Cloonan. Essa também entra facilmente na lista das melhores coisas que eu li de quadrinhos dos últimos anos, então vale ler a revista e a série de entrevistas com o escritor. A dupla está preparando mais seis edições da série, que vão ser publicadas pelo selo Vertigo da DC.

Pra quem curtiu a capa que eu postei do Justiceiro ou ficou interessado na obra do artista Tim Bradstreet (que também já foi responsável pelas capas da Hellblazer), o Newsarama também está colocando no ar uma entrevista em várias partes com o cara, que começou ilustrando livros de RPG (tipo Shadowrun e Vampire) e já tem 20 anos de carreira. Coincidentemente ou não, ele aborda o tema do fotorrealismo que eu citei outro dia. Detalhe metal: o cara desenhou a capa do último CD do Iron Maiden, A matter of life and death!

E, finalmente, leiam e divulguem a porra da minha revista! A corporação! Porra!

Sem mais.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Link de quadrinhos (porque eu tô sem saco pra pensar num título engraçadinho)

O blog Comics should be good, do site Comic book resources, é um dos lugares mais legais pra ler comentários e resenhas de quadrinhos publicados nos Estados Unidos. Além dos posts regulares, os caras vivem fazendo listinhas interessantes de tópicos gerais e sempre dá pra descobrir alguma coisa nova lendo os textos desse pessoal.

Atualmente, o 'chefe' do site, Brian Cronin, está publicando uma série de posts entitulados A month of art stars, que fala todo dia sobre um artista diferente, em geral excluindo da lista aqueles nomes que todo mundo já conhece e já gosta. Um dos pontos positivos dessa série é que, além de comentar os motivos pelos quais o artista em questão entrou na seleção, o cara inclui 'amostras' de arte, dando exemplos dos argumentos que ele utiliza.

Um dos posts mais recentes foi sobre o artista Kevin Huizenga, que eu sinceramente desconheço, e que escreve e desenha com quadrinhos independentes.

Nesse post, o cara coloca uma história em quadrinhos inteira, curtinha, de cinco páginas, que é sensacional. O tema é viagem no tempo e é muito irado como a arte do cara vai reproduzindo a teoria do protagonista sobre o assunto em imagens.

O que significa mais quadrinhos pra lista interminável que eu tenho que ler algum dia...

sábado, 20 de setembro de 2008

Pelo retrovisor

Essa é a minha nova tentativa de fazer posts minimamente regulares. Sempre no fim de semana, eu vou (quem sabe, talvez) postar sobre coisas novas que vi/ouvi/li/etcetal nos últimos sete dias para o deleite de nossos três leitores. Vamos ver se dá certo.


Música:

Black Sabbath - Technical ecstasy (1976):

Geralmente considerado o disco em que o quarteto de Birmingham deixou a peteca de metal cair, o sétimo álbum de estúdio da banda é também o primeiro em que eles tentam ser descaradamente comerciais. O resultado? Bizarrices como Rock 'n' roll doctor (os vocais esganiçados de Ozzy estão a toda nessa faixa), She's gone e a pavorosa It's alright, certamente um dos piores momentos da longa história da banda (com direito a vocais toscos do baterista Bill Ward, que, coincidentemente ou não, tem uma voz meio Ringo Starr). Outra coisa meio estranha é o título, já que, apesar das influências 'progressivas' que o Sabbath vinha mostrando desde os dois discos anteriores, nada aqui chega perto de um 'êxtase técnico'. É verdade que a banda tem seus momentos de redenção, como a faixa de abertura Back street kids, que antecipa os riffs galopantes a la Iron Maiden, a pesadinha (mas não muito inspirada) You won't change me e a parte instrumental de Dirty women, com uns bons riffs e um belo solo do Tony Iommi. O que não salva o álbum de ser bem fraquinho.


Dio - Dream evil (1987):

O quarto disco de estúdio da banda solo do baixinho ex-Rainbow e ex-Black Sabbath confirma o que já tinha ficado aparente no álbum anterior: a essa altura, o grupo já tinha se dado por satisfeito em reproduzir a fórmula de sucesso dos primeiros discos, só que com uma roupagem mais comercial. Os tecladinhos safados anos 80 dominam grande parte do disco, tornando as músicas mais inofensivas e pouco metálicas, o que chega a ser meio absurdo quando a banda é capitaneada pela voz do Dio (uma das coisas mais metal do universo) e ainda tem o Vinnie Appice na bateria, o que é facilmente um dos destaques do disco. Pra piorar, as composições são metal/hard rock anos 80 dos mais genéricos, sem nenhuma faixa de grande destaque pra salvar a pátria e, pior, todo bom riff que dá as caras vem acompanhado na seqüência de um refrão de rádio banal. No todo, um disco medíocre.


Fimbulwinter - Servants of sorcery (1994):

Na mitologia nórdica, Fimbulwinter é o prelúdio do Ragnarok; e é também uma banda paralela de black metal cruzão do Shagrath do Dimmu Borgir (da época do debú For all tid). Previsivelmente mal gravado e mal tocado, o disco tenta ir naquela direção do tom épico e malvado de Darkthrone e cia. e os elementos todos do estilo estão lá: vocais rasgadões, instrumentação desleixada, muito barulho etc., mas faltou inspiração nos riffs. A atmosfera ameaçadora é criada desde o início, com uma introdução com sinos e ruídos tão ou mais assustadores que as próprias músicas, mas a banda não sai daquelas formulinhas clássicas do estilo tipo faixas longas, lentas e sinistras vs. músicas curtas e rapidinhas meio punks (tem até um cover de Celtic Frost pra não deixar nenhuma dúvida nas influências). Destaque para nomes sensacionais de faixas como When the fire leaps from the ash mountain e Black metal storm (possivelmente as duas melhores músicas do disco).


Jeff Buckley - Grace (1994):

Filho do cantor e compositor americano Tim Buckley (que começou a carreira nos anos 60 e morreu novinho), Jeff Buckley parecia ter o mundo aos seus pés quando lançou esse disco, seu debú, em meados dos anos 90. Elogiado por deus e o mundo, incluindo gente como Jimmy Page, Robert Plant e Bob Dylan, o garoto tinha uma voz espetacular e uma veia rockeira que dava ao seu estilo singer-songwriter algo de diferente. Infelizmente, o cara não seguiu os passos do pai só na música e morreu antes de lançar o segundo disco (existe uma versão incompleta lançada postumamente), virou lenda e é reverenciado e citado como influência por bandas como Radiohead, Muse e Porcupine Tree. E o disco? É realmente muito bom, em especial porque a voz o cara é tão sinistra e versátil que mesmo as músicas mais fracas se tornam passáveis. Não que o disco não tenha grandes momentos, como a grandiosa faixa título, a pesada e funkeada Eternal life e o maravilhoso cover da Hallelujah do Leonard Cohen. Talvez o álbum realmente dependa demais da voz de Buckley pra ser considerado genial, mas é uma pena que o rapaz tenha morrido tão cedo, porque não é qualquer Zé Mané que lança um debú com tanta personalidade.


Quadrinhos:

The Punisher #58-60 (Garth Ennis/Goran Parlov):

Essas são as três últimas edições da lendária era Garth Ennis à frente da revista mensal do Justiceiro. Depois de escrever 37 números da série anterior do personagem, no selo Marvel Knights (que era basicamente uma sátira do gênero super herói em que Frank Castle esculhambava com os personagens que passavam pela revista), Ennis inaugurou a linha Marvel MAX, para um público adulto, com essa série (também chamada de Punisher MAX).

As histórias eram bem mais violentas, sem nenhuma menção aos heróis da Marvel, e o Justiceiro era pouco mais que uma força da natureza que atropelava quem cruzava seu caminho. Seguindo a regra básica de que 'ninguém sobrevive a um encontro com o Justiceiro', Ennis foi criando e matando uma série de personagens inesquecíveis (incluindo o vilão Barracuda, único que quebrou a regra e cruzou o caminho do personagem duas vezes), o que é um dos elementos mais geniais da série.

O fim, com a história Valley Forge, Valley Forge é impressionante principalmente porque ela amarra todas as 60 edições de uma forma tão natural que parece fácil. Aliás, ela ainda amarra a pontas dos especiais e minisséries escritas pelo Ennis sobre o Justiceiro no selo MAX, em especial a maravilhosa Born, sobre a passagem de Frank Castle pela guerra do Vietnã. Uma revista tão genial que eu nem vou me dar ao trabalho de ler as novas edições escritas por outras pessoas.

(a boa notícia é que já está planejada uma minissérie do Justiceiro escrita pelo Ennis no estilo da fase Marvel Knights).

Todos os parceiros de Ennis na arte foram sensacionais: Lewis Larosa, Leandro Fernandez (que melhorou - e muito - nos últimos arcos que desenhou), Doug Braithwaite, Lan Medina, Howard Chaykin e Goran Parlov. As capas de Tim Bradstreet, apesar de um pouco repetitivas, também foram uma verdadeira marca registrada da série (ele também desenhava as capas da era Marvel Knights).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pirataria

Não, esse não é um post sério sobre ações contra a pirataria ou sobre como eu consigo ouvir tantos CDs obscuros para depois escrever comentários desnecessários nesse blog.

Esse é um post sobre o mais novo gênero musical em ascensão: o pirate metal!

Como todo mundo sabe (ou pelo menos todo mundo com bom gosto sabe), os pioneiros do metal piratesco vêm da Alemanha: o grupo Running Wild, liderado pelo lendário e pitoresco Rolf Kasparek (no início da carreira também conhecido como Rock ‘n’ Rolf... hahahahahahaha) começou a escrever músicas sobre piratas, sete mares, batalhas navais etc. em 1987, com o álbum Under Jolly Roger. De lá pra cá, ainda não pararam.

Entre os clássicos da pirataria musical da banda estão as músicas Under Jolly Roger, Diamonds of the black chest, Port Royal, Conquistadores, Riding the storm, Tortuga Bay, Whirlwind, Lead or gold, Jenning’s revenge, Treasure island (baseada no livro homônimo de Robert Louis Stevenson), The privateer, The ballad of William Kidd (putaqueopariu, que música foda!) e Pirate song (não sei como eles demoraram tanto tempo pra gravar uma música com esse nome).

(pra quem não percebeu, o Running Wild é, tipo, a banda mais foda, tipo, everrr)

Bom, agora, finalmente alguma justiça divina permitiu que aparecessem bandas que são verdadeiros discípulos do metal piratástico alemão.

A primeira banda de que eu tive notícia vem da Escócia e, pelamordedeus, pirate metal escocês é praticamente o céu na terra. Primeiramente chamados Battleheart, os caras foram ainda mais geniais e mudaram o nome pra Alestorm, adicionando cerveja ao nome e conquistando precocemente seu lugar no rol das bandas imortais do heavy metal. Esse ano, lançaram o debú Captain Morgan’s revenge (que eu ainda não ouvi, mas deve ser ultramegaokfodaço).


Agora, surge a banda finlandesa Cast Iron (nunca vou entender como um país tão obscuro como a Finlândia rende tanta banda de metal), que proclama aos sete ventos sua idolatria pelo Running Wild. Até hoje, eles lançaram só um EP chamado Leather and metal e não podemos encontrar nenhuma menção a pernas de pau, ganchos, tapa-olhos, papagaios ou motins nos nomes das músicas, mas a declaração de amor a Kasparek e cia. indica que isso não pode estar muito além do horizonte dos caras.


Então, façamos uma apelo para a comunidade metálica internacional para que surjam mais bandas de pirate metal, assim arruinando um estilo que, por ter só um representante durante mais de 15 anos, nem poderia ser considerado um estilo, muito menos ser arruinado.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fotoneorealismo

Nos quadrinhos de super herói atuais, existe um grupo de artistas que tem uma grande influência do fotorealismo, escola de arte dos anos 60 e 70 que propunha a realização de obras feitas a partir de fotografias. O quadro não existe sem uma foto, que serve como imagem-base mesmo para a pintura.

Nas revistinhas, os artistas que se valem dessa proposta usam como modelos para os personagens e ambientações fotos de pessoas e lugares, fazendo uma 'versão desenhada' ou 'retrabalhada' dessas imagens, o que dá uma aparência mais real e naturalista para os desenhos (ao contrário da escola tradicional dos super-heróis, capitaneada pelo desenhista/escritor Jack Kirby, que procurava dar uma dimensão grandiosa à arte através de traços e enquadramentos não-realistas).

Artistas como Alex Ross (provavelmente o inspirador de toda essa tendência), Greg Land, Salvador Larroca, e os brasileiros Luke Ross e Mike Deodato Jr. são alguns exemplos de gente que já usou esse tipo de influência em seus trabalhos. Mais recentemente, o canadense Dave Sim, criador do Cerebus (a revista em quadrinhos com mais edições em língua inglesa de todos os tempos), lançou a série Glamourpuss, que retrata o mundo da moda através de arte fotorealista.

Muitos críticos de quadrinhos atacam essa proposta, argumentando que ela é pouco mais que um atalho para facilitar a vida dos artistas, já que eles não têm o trabalho de 'criar' os desenhos, mas sim 'recriá-los' ou 'adaptá-los'. Muitas vezes, o que se vê na revista não é nem desenhado propriamente, mas sim uma imagem alterada no computador a partir das fotos em programas específicos.

Por isso, é interessante ler o ensaio do artista Ryan Kelly sobre o processo de criação da revista Local (cuja edição #3 foi tema de um post do Dotto), que tem como base a proposta de ambientar cada número em uma cidade diferente dos Estados Unidos.

O mais legal da idéia do cara é que, apesar de não abrir mão das fotos como referência para a arte (já que uma das maiores preocupações dele era ser fiel às cidades que ele desenhava), o objetivo era partir da história em primeiro lugar. Ou seja, apesar de as fotos serem uma parte intrínseca do processo de criação da revista (nesse caso, apenas na parte dos cenários, não dos personagens), ela está subordinada às necessidades dos personagens e da narrativa.

Exemplo disso é o fato de ele dizer que, quando não tinha uma foto na escala ou enquadramento que ele pretendia para contar a história, ele se impunha a obrigação de desenhar o quadro do zero, usando as fotos como referência e não como base para o desenho.

É um caminho interessante, porque assume totalmente o papel das imagens de referência, mas reforça que o trabalho do artista não pode se subordinar ao material que ele toma de ponto de partida.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

It's alive!

A primeira edição da revista em quadrinhos que eu criei junto com meu amigo nerd Alvaro, está online!


O título da parada é A corporação e trata de um grupo de pessoas com super poderes que são organizadas como uma força mercenária. Eu poderia entrar em detalhes em relação à trama, personagens etc. e tal, mas no fundo é tudo uma desculpa pra pensarmos em cenas bizarras de ação, para criarmos personagens com habilidades e nomes esdrúxulos e principalmente para realizarmos o sonho de todo adolescente, que é escrever uma história em quadrinhos de super heróis.

E, sim, eu sei que ninguém lê esse maldito blog, mas de qualquer jeito eu me sentiria mal se não postasse isso aqui.

Bom, se alguém cair nessa página por acaso, procurando uma combinação improvável de palavras no Google ou tentando baixar discos obscuros de metal, pós-rock ou coisas sobre as quais a gente escreve (quando escreve), entra na página e lê a revista, vai... é de grátis, então não tem desculpa!

Grizzly Bear


Diz aí assim: O Grizzly Bear é uma banda fantástica. Não me lembro exatamente como ouvi falar deles, mas me recordo de tê-la visto pela primeira vez associada ao pós-rock, e com algum tipo de referência ao Sigur Rós. Pra falar a verdade, achava que o Eddaih que tinha me falado dela. Porém, ao comentar com ele minha descoberta, ele não soube de que estava falando e, portanto, pulo essa etapa e trato o meu segundo contato com eles como o primeiro encontro.

Com dois discos lançados, os excelentes Horn of Plenty (2004) e Yellow House (2006), tomam um direcionamento um pouco tangente à curva comum do pós-rock – por mais larga e abrangente que essa possa ser. Evidentemente mais intimista e menos pomposo que seus colegas mais conhecidos, o GB pode ser definido como uma banda de folk ou country eletrônico, o que acabou lhes valendo um contrato com a Warp Records, uma gravadora essencialmente de musica eletrônica – até onde sei, outra banda, só o Tortoise, que teve o Standards também lançado pela gravadora – famosa por ter em seu cast alguns heróis eletrônicos como o Aphex Twin, e LFO.

Oriundos dos EUA, a terra prometida da tecnologia e do progresso, o som “retrô” da banda é sua característica mais marcante, não no sentido de se fazer um som de outra década ou meio datado, mas por optarem por uma produção menos cristalina. Já nos primeiros tons, efeitos (de muitos) e primeiros acordes de guitarra, fica evidente o approach lo-fi pós-rockista do Grizzly Bear em seu disco de estréia. Uma sonoridade realmente impressionante, ainda mais posto que surgiu praticamente dos esforços caseiros do líder Edward Droste. Ouvir as já clássicas Deep Sea Diver, Don´t ask, Shift é uma experiência estética única, seja pelos vocais sobrepostos, a voz meio sussurrada, o (des)tratamento da produção, o som gramofônico, a miríade de efeitos e instrumentos virtuais, cristais binários, flautas digitais e defeitos propositais.

Aparentemente, a banda surgiu apenas nos estágios finais de sua gravação, o que acabou por gerar dois discos bastante diferentes em termos de composições e arranjos. Comparado a ele – ao debú –, seu segundo lançamento, apesar do certo consenso de que representa um grande avanço na sonoridade da banda, parece mais uma troca, do intimismo sem limites por composições mais arrojadas, mais arranjadas, ainda lo-fi, mas muito mais suave e aberto. Também pudera, agora existia uma banda. Não, eles – ou ele – não se venderam. Pelo contrário, continuam gélidas suas músicas, idílicas, mas trocaram o clima de noite fria na lareira enrolado num cobertor pela manhã gelada e nublada nas montanhas.

É bem interessante se comparar os dois álbuns, já que parecerem seguir um direcionamento oposto. Enquanto o Yellow House vai da banda aos efeitos, por vezes se assemelhe a um som sessentista – às vezes meio Pink Floyd, às vezes meio Beatles, às vezes meio Beach Boys – trabalhado eletronicamente, o Horn of Plenty está mais pra um disco eletrônico, com guitarras sem distorção adicionadas posteriormente ou, no mínimo, concomitantemente. Enquanto este está mais para um monólogo, aquele é mais dialogado. Um é mais denso, saturado, frio, evocativo, desolado, idílico, assustador e escuro. O outro é mais alegre?, rápido?, quente?, urbano?, claro? Só se comparado ao primeiro. Por vezes se tem a sensação de flashback ao se ouvir o Yellow House – experimente ouvir a fantástica Knife e seus adendos eletrônicos, os efeitos sussurrantes e uivantes, os canticozinhos macabros que se somam ao corinho e me diga se o Horn of Plenty não volta à mente.

Além dos já referidos álbuns, o GB tem ainda lançado o não exatamente deles Horn of Plenty, the Remixes (2005), que é o Horn of Plenty... ééé... beeem... de remixes – aparentemente foram “adotados” por seus colegas de gravadora –, do qual, de repente, algum dia, falo sobre – depois de tê-lo ouvido melhor –, um EP de 11 faixas, Friend (2007), do qual não posso falar sobre por não tê-lo ouvido ainda, um single, Knife (2007), ao qual também não ouvi, uma demo, Sorry for the Delay (2006), lançada posteriormente, e um disco vindouro, ou seja, ainda por vir.

O Grizzly Bear é formado por Edward Droste (Voz/Guitarra), Christopher Bear (Bateria/Vocal), Daniel Rossen (Voz/Guitarra) e Christopher Taylor (Baixo/Flautas/Eletrônicos/Vocal)

sábado, 13 de setembro de 2008

Plataforma: metal

Nesses tempos de propaganda eleitoral, é aliviante você encontrar alguém que lança uma campanha com que você concorda 100%.

Não, não estamos falando de obrigatoriedade em vestir roupas pretas, direito absoluto para esculhambar posers e falsos ou mesmo lei de incentivo fiscal para bandas de heavy metal gravarem seus discos.

Outro dia, escrevi sobre o neothrasholdschool e uma das bandas do gênero citadas foi a irlandesa Gama Bomb. Pois os caras lançaram esse mês a campanha mais irada de todos os tempos desse ano:

A campanha 'stamp out inferior metal' consiste em chamar os fãs do 'verdadeiro metal' a comparecerem nos shows da turnê européia da banda (que vai passar por onze países!) e que os tais fãs levem os itens, digamos, constrangedores de suas coleções discográficas. A banda propõe a destruição coletiva dos objetos indesejados na vida de um verdadeiro headbanger em um ritual coletivo de redenção metálica. Tudo fazendo parte da própria apresentação da banda!

Caralho, é por isso que eu ouço heavy metal. Se alguém me perguntar algum dia como eu gosto de metal, vou só mostrar o cartaz da campanha e pronto. Isso é a pura destilação de tudo o que há de mais escroto e genial no estilo.

Bem que alguma banda brasileira podia fazer uma coisa parecida, eu até tenho umas coisas vergonhosas das quais poderia me livrar de forma catártica num evento como esse.

Dá até pra imaginar a cena: um nerd de preto chegando pra outro sorrateiramente e falando 'Pô, cara, tu vai destruir esse CD? Me dá ele aí, me amarro em Evanescence...'. E, no caso de uma explanação por parte do arrependido, a massa cabeluda jutando em cima do rapaz pra lhe dar uns cascudos e exorcizar o demônio falso do corpo dele.

Eu ainda não ouvi muito os discos do Gama Bomb não, mas os caras subiram muito no meu conceito!

E o segundo lugar vai para...



Nem o Kerry King toca isso, o que não representa grande coisa.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

E o prêmio bizarrice da semana vai para...

Um cover completamente aleatório.

Uma versão da banda Spiritwo da Inner self do Sepultura. Num estilo synth pop.

Destaque para a vocalista popozuda. É ver para crer.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Quadrinhos super políticos

A relação das histórias em quadrinhos (ou melhor ainda, da arte seqüencial) com política é longa, interminável e não é minha intenção fazer um retrospecto de tudo o que já foi feito nesse sentido. Até porque, eu sou desocupado, mas nem tanto!

Quando se pensa nessa relação, podemos usar exemplos óbvios que vão desde obras clássicas dos quadrinhos mainstream, como V de vingança ou Watchmen, os próprios O cavaleiro das trevas e 300, do Frank Miller, assim como um milhão de revistas independentes (como Channel zero, do Brian Wood), ou mesmo parte da produção avassaladora de charges em jornais de todos os cantos do mundo (nesse caso, mesmo aqueles que não são arte seqüencial têm uma relação próxima o suficiente com o universo estético dos quadrinhos pra incluirmos nessa lista).

Algo que poucas pessoas pensariam, em especial aquelas que, em uma decisão provavelmente sábia, pararam de gastar seu dinheiro com revistas em quadrinhos durante a crise criativa dos quadrinhos americanos no anos 90, é que revistas como Wildcats e Savage Dragon também já entraram no hall dos quadrinhos políticos.

O Wildcats (que já foi até escrito pelo Alan Moore uma época!) teve uma iteração, adorada pelos poucos fãs que leram esse período, chamada Wildcats 3.0. Essa época durou 24 edições, e foi interrompida bruscamente por baixas vendagens. Como eu nunca li, não posso fazer grandes análises, mas pelo que sei o escritor Joe Casey e o desenhista Neil Googe transformaram o grupo numa espécie de conglomerado de empresas ou coisa do gênero, e as maquinações econômico-políticas tinham muito mais espaço na história do que batalhas épicas ou mulheres peitudas de Jim Lee (pelo que eu li, um dos personagens principais da parada é um contador!).

Mas o motivo de eu ter escrito esse post, é a capa alternativa da próxima edição do Savage Dragon, divulgada no início da semana pelo escritor/artista/criador do personagem Erik Larsen:


Quando eu vi isso no trabalho outro dia, não conseguia parar de rir. E o genial da história é que no preview de cinco páginas dessa edição não tem nenhuma menção ao Obama ou às eleições!

Acho que pouca gente imagina como a liberdade criativa que o povo da Image teve desde a fundação da empresa deu às revistas a possibilidade de entrar em caminhos impensáveis pra quem só acompanhou o nascimento da editora.

O mais maneiro é que quem não abandonou o barco e acompanhou todo esse processo nem se surpreendeu com essa capa. Porque o Erik Larsen fez muito pior com a capa da edição 119:

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Rapsódia do Fogo

Bem... eu já estava devendo o post prometido em resposta ao Jotun e resolvi escrevê-lo no trabalho mesmo. Mas como fiquei com preguiça, estou terminando aqui em casa. Nada melhor que o ócio para escrever no blog. Melhor ainda sobre coisas toscas. Ainda mais sobre Metal. E sobre uma banda tosca? Minha nossa!!!, isso é quase uma realização.

Pois então, o que seria melhor pra falar sobre que o Rhapsody (of Fire)? Que eles são toscos, não se discute. Que eles são chatos, isso é óbvio. Que eles são ridículos, eu até já sabia, mas não a esse ponto:



Isso quem me mostrou foi o Fernando. Não sei nem dizer o que é o mais tosco, se os efeitos de fundo azul, a dança sensual da mulher-sucubus ou a cara de seriedade da banda em meio à bizarrice do vídeo. Eles acreditam mesmo estarem fazendo algo bom? Destaque para a dramaticidade da cena poucos segundos antes dos 4 minutos.

Calma que ainda tem mais:



Essa poderia se chamar Emerald Sword 2. Auto plágio é algo fantástico. Pan... panpan panpaaaan!!! E tome-lhe cavalgada. Dá-lhe refrão grandioso. E mais efeitos especiais.

Mas esse é insuperável:



Acho que como eles se tocaram que um Grammy não ia rolar, um Oscar de repente eles conseguiriam. Quem é o mestre dos magos, o Christopher Lee?

A árvore genealógica do metal gerou frutos bastante duvidosos e o Rhapsody (of Fire) deve ser um de seus maiores representantes, junto com Stratovarius. Porra... olha o nome das bandas. De repente um dia eles alcançam isso aqui:

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

André Matos viadinho (e ladrãozinho)

Como todo mundo sabe, eu sou o maior vagabundo da história e até hoje não me formei na faculdade de cinema, que comecei em 2001. Minha única pendência atualmente é fazer um filme, coisa que se torna um pouco mais complexa do que o normal no meu caso, pelo fato de eu ser um aluno fantasma da UFF desde o início do curso e não conhecer mais quase ninguém que esteja estudando lá.

Eu já tinha feito vários projetos, abortados por um motivo ou outro, de gravar documentários sobre bandas de metal que vinham tocar aqui no Brasil como projeto de formatura, o que seriam vídeos relativamente fáceis de fazer e extremamente satisfatórios pra mim. Infelizmente, nada disso foi pra frente.

No início desse ano, eu pensei em gravar com um músico de metal aqui do Brasil pra facilitar a minha vida e finalmente colocar a tampa no caixão da faculdade. Decidi entrar em contato com o "metalstar" André Matos (ex-Viper, ex-Angra, ex-Shaman e agora com uma espécie de "banda solo") pra ver se gravava um curta sobre a trajetória dele. Mandei um email pro site dele e fiquei na espera.

O cara é um personagem interessante. Além de eu ser fã das bandas em que ele tocou e cantou, o sujeito é formado em regência e composição de música clássica, piano e canto lírico, mas decidiu se dedicar ao heavy metal. Sem contar que o visual folclórico e a voz fina, que abusa dos agudinhos, transformaram o cara em um verdadeiro ícone do metal, em particular aqui no Brasil. Sem contar com as participações em discos de várias bandas gringas, projetos etc. Realmente dava pra fazer um vídeo bacana.

Enfim, nunca tive resposta nenhuma do email que eu mandei pro site dele, então desisti mais um vez do meu projeto curta-metal e acabei fazendo outro vídeo sobre música (que ainda não está pronto).

Estava eu nesse último fim de semana nerdando na internet, quando vejo no Blabbermouth uma notícia assim: André Matos lança vídeo sobre sua vida, ou coisa que o valha.

Bom, vamos ver que porra é essa, né.

E não é que o filho da puta roubou minhas idéias e fez um vídeo exatamente com os mesmos temas que eu escrevi expressamente no email que iria abordar no meu curta?

(ok, pode ter até sido coincidência, mas, porra, essa é uma bela oportunidade pra reclamar da vida que eu não posso deixar passar, então vamos supor que ele copiou minha idéia, o que também é deveras possível)

Na verdade, eu nem consegui ficar puto com isso, até porque meu projeto era fazer um curta universitário, muito mais pra me formar do que qualquer coisa, e eu não ia ganhar porra nenhuma com isso. Era mais uma idéia bacana porque eu gosto de metal e precisava fazer meu filme, então porque não juntar as duas coisas?

Mas o pior é ver que o cara, além de fazer exatamente o que eu propus no email, ainda fez um vídeo chato pracacete, só com material de arquivo (de fato, tem cenas impagáveis nesse acervo), e que funciona muito mais como um slideshow do tipo "olha como eu sou bom" ou "feitos do André" do que um vídeo, um curta ou qualquer coisa que o valha.

Não é por nada não, e que se foda a modéstia, mas meu curta ia ser bem melhor. Até porque o dele é ruim de doer, então isso não seria muito difícil.