Música:
Liderado pelo baixista sueco Jonas Hellborg (um monstro), o sexteto Art Metal toca uma espécie de fusion metal, em que riffs e levadas bem metal servem de base para jams e improvisações alucinadas. Apesar de o baixo ser a estrela maior do show, o guitarrista Mattias IA Eklund também tem a chance de mostrar suas excepcionais habilidades, particularmente nos solos absolutamente sensacionais. A base pesada das músicas remete a outra banda técnica e instrumental que lançou seu primeiro disco em 2007, o animal Blotted Science, mas a banda sueca também explora sonoridades não-metálicas, como influências de música oriental (Nataraja) e passagens mais leves e viajantes (The three princes of Serendip). Às vezes as músicas tendem a se dispersar um pouco, mas é inegável que, quando os caras acertam, o resultado é muito empolgante. Uma curiosidade para os fãs de metal é que nos teclados e na bateria estão os irmãos Jens e Anders Johansson, responsáveis pelos mesmos instrumentos no Stratovarius e no Hammerfall, respectivamente. E aqui eles mostram que realmente tocam pracaralho!
Quadrinhos:
All-Star Superman #12 (Grant Morrison/Frank Quitely):Com essa revista, a melhor história de todos os tempos dos últimos anos do homem de aço chega ao fim. Com roteiros do tresloucado Grant Morrison e desenhos do genial Frank Quitely (dupla responsável por uma das melhores minisséries já publicadas, a genial WE3), não era de se esperar algo menos que sensacional e os dois cumpriram as expectativas com louvor. Morrison buscou inspiração na era de prata dos quadrinhos, com roteiros alucinados e mais 'inocentes' do que essa praga de quadrinhos 'sérios' e 'adultos' que são publicados hoje em dia. Acontece um pouco de tudo nas histórias e os dois incluem diversos elementos da mitologia do personagem (como quase todos os personagens coadjuvantes clássicos e a grande maioria dos vilões famosos) de maneira inteligente e inusitada.
Se valendo da vantagem de estarem trabalhando com uma série fora da continuidade, as doze edições foram pensadas como histórias individuais que representam também os últimos dias de vida do Super Homem. Uma espécie de analogia com os doze trabalhos de Hércules, a série acompanha Kal-El/Clark Kent completando os desafios que iam surgindo, enquanto se preparava para o fim dos seus dias (anunciado na primeira edição da série). O final, com a despedida do Super Homem da Terra, consegue não ser excessivamente sentimentalóide ao mesmo tempo em que reafirma o papel do personagem como herói e deixa em aberto a possibilidade de novas histórias nessa mesma 'continuidade à parte' que Morrison e Quitely criaram.
Apesar de dar uma certa tristeza saber que não teremos mais edições dessa história (pelo menos não num futuro próximo), é reconfortante ver que as revistas mensais do último filho de Krypton estão nas boas mãos de Geoff Johns e James Robinson (com ótimos desenhos de Gary Frank e do brasileiro Renato Guedes!) e que os dois vêm fazendo um bom trabalho com o personagem.
E agora eu quero é ver quem a DC vai colocar no lugar da dupla Morrison e Quitely nessa revista. Vai ser difícil se manter nesse nível... ah se vai.
Cinema:
A mulher sem cabeça (Lucrecia Martel):Desde que lançou seu primeiro longa, O pântano, em 2001, a cineasta argentina Lucrecia Martel se tornou uma das queridinhas do circuito internacional de festivais. A mulher sem cabeça é o terceiro filme da diretora, em que ela realiza, mais uma vez, um cinema de difícil apreensão à primeira vista, primordialmente sensorial, por vezes confuso, mas muito interessante. Além da grande capacidade de Lucrecia de compor algumas imagens belíssimas e climas tensos, fica evidente o esforço da cineasta em fugir aos caminhos narrativos tradicionais do cinema.
A mulher sem cabeça acompanha a história de Veronica, uma mulher de família rica do interior da Argentina que atropela alguma alguma coisa em uma estrada. Sem saber se a vítima do acidente foi uma pessoa ou um animal, ela fica tomada pela possibilidade de ter matado um ser humano. O filme traduz em sons e imagens fantasmagóricos a sensação que assombra a protagonista, que não consegue retomar sua vida normal depois do acontecido. A natureza introspectiva e viajante do filme acaba por vezes alienando (e entediando) o espectador, mas é inegável que há vários momentos de grande força e beleza no filme.
Pra quem não procura explicações ou uma história narrada convencionalmente, A mulher sem cabeça é uma boa pedida (e está no Festival do Rio, mas muito provavelmente vai passar no circuito comercial, então não é nenhuma orbigação vê-lo agora).
Última parada 174 (Bruno Barreto):Longa-metragem brasileiro selecionado para concorrer a uma vaga no Oscar 2009, Última parada 174 vai chegar ao circuito comercial cercado de expectativas. O filme nasceu a partir de outro filme, o excelente documentário Ônibus 174, de José Padilha (o mesmo de Tropa de elite), que tinha o seqüestro do ônibus da linha 174 (dã!) como ponto de partida para analisar a situação de violência que a cidade vive até hoje. Com Última parada 174, o diretor de Dona Flor e seus dois maridos e do indicado ao Oscar O que é isso, companheiro? reconstrói a história de vida do seqüestrador Sandro do Nascimento, acrescentando alguns elementos dramatizados e romantizados, porque, afinal, ninguém é de ferro.
Se a própria proposta de 'refilmar' uma história que já tinha sido tão bem retratada nas telas já parecia meio furada, o olhar sobre a violência urbana carioca também vem se desgastando no cinema desde a realização do documentário Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles e Kátia Lund, em 1999. Então fica a pergunta: qual é o propósito desse filme? A narrativa ficcional criada por Bruno Barreto e pelo roteirista Bráulio Mantovani (o mesmo de Cidade de Deus...) pouco acrescenta ao que já se viu sobre a vida do menino Sandro (a não ser com as partes possivelmente dramatizadas), e inclusive exclui coisas do documentário que davam uma dimensão mais humana ao personagem (como as aulas de capoeira que ele fazia perto da PUC ou a impressão de menino sensível que as pessoas que conviveram com ele passam nos seus depoimentos).
A criação de um novo personagem, Alê, parece querer arrastar para a trama, de forma meio truncada, um dos depoimentos mais impactantes de Ônibus 174, do bandido que fala com o rosto coberto por uma meia, ao mesmo tempo em que contrói a dimensão de 'destino' que a tragédia pessoal do sequestrador tem no filme. Para reforçar esse aspecto fatalístico, o filme usa recursos pseudo-poéticos e/ou misteriosos como o esfregar dos dedos do protagonista e os copos que caem, que simplesmente não funcionam. Já o lado 'realista' e 'cru' do filme desaba sob o peso de atuações fracas (com a louvável exceção do jovem protagonista Michel Gomes) e de um diálogo pesado, que tenta ser coloquial, mas nunca consegue deixar de soar exagerado e forçado.
Então o filme é todo uma merda? Nem tanto... além da esperada qualidade técnica, ele tem imagens interessantes do Rio de Janeiro, filtradas pela proposta do diretor de 'filmar a pobreza com raiva' ou coisa parecida. O fato é que, ao contrário das produções de grande sucesso sobre o tema, Última parada 174 tem uma construção visual mais crua, menos polida e um olhar minimamente diferente sobre a 'cidade maravilhosa', que aqui é retratada como opressora não só na periferia, mas também no centro (onde o jovem Sandro sobreviveu ao massacre da Candelária) e na própria zona sul (onde acontece o desfecho trágico da história).
Só que isso é muito pouco pra salvar o filme, em especial porque ele promete o tempo todo um ápice emocional com a chegada iminente da tragédia do ônibus, o que é arruinado no fim por uma série de clichês, montagem extremamente piegas e câmeras lentas desnecessárias. O uso de uma textura diferente, mais próxima do vídeo, para recriar as imagens televisivas do seqüestro também não funciona, não convencendo como substituto para as imagens de arquivo, muito mais poderosas, nem como uma narrativa propriamente ficcional. O filme ainda tenta escapar do estigma de filme-baseado-em-fatos-reais em que já sabemos o fim da história ao inventar uma cena que funciona de adendo para a história do protagonista e que tenta representar uma espécie de possibilidade de rendenção para os personagens que o cercam.
A verdade é que a questão da justificativa dos atos de Sandro através de uma vitimização (que porra de palavra é essa?) do rapaz, que já está em discussão ardente em blogs, mesas de bar e portas de cinemas, me parece meio babaca, afinal de contas o garoto não é mostrado no filme como inocente, inclusive rejeitando ou deixando passar oportunidades de recuperação/redenção e entrando por suas próprias ações no caminho que o levou ao fatídico seqüestro do ônibus.
Mais que isso, toda essa questão fica mesmo em segundo plano frente à fragilidade do filme, que simplesmente não tem força cinematográfica pra amplificar o debate e, como fizeram seus predecessores espirituais Cidade de Deus e Tropa de elite, romper a sala de cinema para chegar à sociedade de forma mais ampla.

Black Sabbath -
Dio -
Fimbulwinter -
Jeff Buckley -
The Punisher #58-60 (Garth Ennis/Goran Parlov):




A campanha 'stamp out inferior metal' consiste em chamar os fãs do 'verdadeiro metal' a comparecerem nos shows da turnê européia da banda (que vai passar por onze países!) e que os tais fãs levem os itens, digamos, constrangedores de suas coleções discográficas. A banda propõe a destruição coletiva dos objetos indesejados na vida de um verdadeiro headbanger em um ritual coletivo de redenção metálica. Tudo fazendo parte da própria apresentação da banda!
